O Frio da Morte

Onde assistir
Habitantes dos gélidos cantos da internet, sejam todos bem-vindos ao "Frio da Morte"

“Em uma localidade afastada, uma mulher solitária descobre uma adolescente mantida em cativeiro. Em meio ao frio intenso, isolamento e um intrincado mistério, Barb se torna a única esperança da jovem.”

Escrito por Nicholas Jacobson-Larson e Dalton Leeb, com cinematografia de Christopher Ross, música por Volker Bertelmann, e dirigido por Brian Kirk, O Frio da Morte é um suspense psicológico que envolve dramas pessoais, instabilidades emocionais, e o conceito clássico do “memento mori”.

Contando também com um elenco enxuto, estrelado por Emma Thompson, Judy Greer, Marc Menchaca, Laurel Marsden, Gaia Wise, Brían F. O’Byrne, e Cúán Hosty-Blaney, é uma ótima opção para uma noite no cinema.

Nesta crítica, tenho a satisfação de ter pego um filme tão interessante quanto bem-feito, que certamente irei indicar para todos que conheço.

Em O Frio da Morte começamos a seguir uma figura solitária a caminho de algum lugar, basicamente saindo do meio do nada rumo a lugar algum, e que mesmo antes de sabermos sobre Quem, Onde e qual a sua Motivação, temos de maneira sonora e visual uma história sendo muito bem contada. Tanto a cinematografia e direção de arte, como os elementos sonoros existentes e inexistentes, – aliados a atuação – logo nos primeiros minutos a obra nos conta praticamente tudo que precisamos saber sobre a personagem, – uma mulher íntegra, bem constituída, que carrega algum tipo de dor – e que através da imagem, branca, acinzentada, com tons de azul, demonstra a carga emocional e temas que serão abordados ao longo da película.

Do começo ao fim é um filme lindo visualmente, com locações de tirar o fôlego, que ao tempo todo representam a luta pela sobrevivência no isolamento, mas, que ao mesmo tempo emana uma beleza ímpar.

A atuação das duas atrizes principais é simplesmente no ponto, demonstrando todo o alcance de suas habilidades, e do psicológico e caráter de seus personagens.

No storytelling, os temas são abordados de maneira dualista, desde a importância da vida individual, passando por relacionamentos amorosos, e pela existência coletiva, como também em atitudes como prestar ajuda e socorro, mas que ainda assim, ao mesmo tempo que parece algo sólido e irredutível, ainda assim, apresenta algo de líquido ou fluido.

Já os pontos negativos em relação a essa obra não estragam a experiência, e provavelmente estão ligados ao orçamento, e não a competência dos envolvidos, no entanto, são elementos que se melhor desenvolvidos, deixariam tanto em termos de história, quanto visualmente falando, tudo muito mais envolvente e interessante.

A história se desenrola com o tempo, utilizando gestalt e flashbacks para se aprofundar, ao menos, na personagem principal, o que de maneira alguma são soluções ruins, ainda mais como foram bem apresentadas, no entanto, parece que se alguns elementos e histórias de fundo tivessem um pouco mais de tempo de tela, poderíamos nos relacionar ainda mais com os personagens e suas caminhadas, deixando a produção ainda mais rica e profunda.

Em conclusão, O Frio da Morte é um ótimo entretenimento, que trabalha de forma satisfatória, – seja em elementos visuais como também narrativos – o contraste entre distância e proximidade, insignificante e importante, morte e vida, proporcionando também ótimas atuações dos atores principais, e a visualização dos diferentes níveis de intensidade emocional e sanidade, assim como a luta entre permanecer vivo e aceitar o fim. Sendo assim uma obra reflexiva e profunda.

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