O Mago do Kremlin, dirigido por Olivier Assayas, é uma das produções mais comentadas do início de 2026. Baseado no aclamado best-seller de Giuliano da Empoli, o longa mergulha nos bastidores do poder na Rússia contemporânea.
A trama narra a ascensão de Vladimir Putin ao poder através dos olhos de seu (fictício) conselheiro de confiança, Vadim Baranov (interpretado por Paul Dano). Baranov, um ex-produtor de reality shows, utiliza técnicas de manipulação mediática e espetáculo para transformar a política russa em uma encenação teatral, consolidando o controle do “Czar”.
Jude Law como Vladimir Putin: A atuação de Law é o ponto alto do filme. Ele evita a caricatura, entregando uma performance magnética e contida. Críticos destacam sua habilidade em transmitir a frieza e o pragmatismo de Putin através de gestos sutis e olhares.

Paul Dano interpreta o “Mago” Vadim Baranov com uma expressão introspectiva e quase apática, funcionando como a bússola moral (ou a falta dela) da narrativa. Alicia Vikander interpreta Ksenia, trazendo um contraponto emocional e humano ao mundo cínico da alta política russa.
O roteiro, co-escrito por Emmanuel Carrère, é denso e filosófico. Ele explora como o poder funciona no século XXI, não apenas através da força bruta, mas da gestão do caos e da narrativa.
A estética do longa é elegante: Assayas mantém seu estilo sofisticado, transformando reuniões em salas frias do Kremlin em momentos de alta tensão psicológica.

O longa é uma aula sobre a geopolítica russa, ajudando o público a entender a transição da era Yeltsin para o autoritarismo de Putin. Com cerca de 150 minutos, o filme é excessivamente “palestrinha” ou teórico em certos trechos, assemelhando-se a uma aula de ciência política disfarçada de cinema.
Leitores do livro podem sentir falta de certos detalhes, embora a essência da “estética da desinformação” esteja bem preservada. Sendo uma produção francesa falada em inglês com um elenco internacional, a imersão na “alma russa” sofre pequenos abalos devido à falta da língua nativa.
Resumindo, O Mago do Kremlin não é um filme de ação ou um thriller de espionagem convencional. É um drama político gélido e intelectualizado. É essencial para quem deseja entender as engrenagens da propaganda moderna e o fascínio pelo poder absoluto. Se você busca entretenimento frenético pode se frustrar, mas se busca uma reflexão profunda sobre o mundo atual, é imperdível.







