Terra Estranha

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13.10.2016

Nem a atuação poderosa de Nicole Kidman segura "Terra Estranha"

Terra Estranha, assim como o nome, é um filme estranho e nem mesmo a atuação poderosa de Nicole Kidman (Olhos da Justiça) como uma mãe angustiada é o suficiente para segurar este suspense dramático sobre duas crianças em perigo, que acaba sendo bem pouco convincente.

No filme, o casal Catherine (Kidman) e Matt (Joseph Fiennes, de Shakespeare Apaixonado) acaba de se mudar para o deserto australiano de Nathgari. A família é reservada e mantém pouco contato com as pessoas ao redor, até o dia em que uma grande tempestade de areia atinge a região e os filhos do casal desaparecem. A polícia passa a investigar o caso e, ao mesmo tempo em que rumores começam a correr na vizinhança afirmando que a culpa seria de Catherine e Matt, o passado rebelde da filha mais velha, Lily, ganha importância no mistério.

O filme não se decide entre o drama e o suspense. Ele é exagerado enquanto tenta examinar a crise no casamento dos personagens principais em todas as suas nuances emocionais, psicológicas e principalmente sexuais.

Kidman está ótima no papel principal de Terra Estranha, estreia na direção de Kim Farrant. A diretora mostra um deserto implacável composto por toda a ambiguidade e atmosfera ameaçadora que o local provoca, mas a miséria evocada por ele é apenas visual. Por outro lado, a miséria do psicológico dos personagens principais é rasa e, por vezes, a sexualidade reprimida da personagem de Kidman parece mais um fantasma da imaginação do roteirista do que um real problema que a personagem precisa resolver.

Joseph Fiennes, por outro lado, acaba ofuscado pelo trabalho de Kidman e soa forçado em diversos momentos, em uma espécie de inércia emasculada. O desconforto do pai com a clara sexualidade aflorada da filha de 15 anos é um contraponto óbvio ao personagem de Hugo Weaving (O Hobbit: Uma Jornada Inesperada), o policial designado a investigar o sumiço das crianças.

Enquanto isso, Lily, a filha sumida, tem muito pouco tempo de tela para que nos preocupemos com o sumiço dela, e nem a narração poética cria a empatia que a personagem carecia. Mas ao nos submeter à companhia de seus pais e suas histerias conjugais, o filme termina com uma redenção óbvia e desnecessária.

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AUTOR

Felipe Fornari

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