The Electric State chega com um peso considerável: baseado na aclamada graphic novel de Simon Stålenhag e dirigido pelos Irmãos Russo, responsáveis pelo sucesso de Vingadores: Ultimato. No entanto, ao contrário da estética evocativa e da reflexão profunda da obra original, o filme se perde em um espetáculo visual que parece mais interessado em referências e nostalgia do que em construir uma narrativa envolvente. Com um elenco de peso e uma premissa intrigante, o longa poderia ser um marco da ficção científica, mas acaba se tornando um amontoado de ideias já vistas antes, sem profundidade suficiente para se destacar.
A história segue Michelle (Millie Bobby Brown), uma adolescente órfã que embarca em uma jornada pelo oeste americano para descobrir a verdade sobre seu irmão supostamente falecido. Ao seu lado, um adorável robô chamado Cosmo e o mercenário Keats (Chris Pratt), que parece estar interpretando a si mesmo em mais um papel de anti-herói canastrão. O pano de fundo é um mundo alternativo dos anos 1990, onde robôs conscientes foram derrotados e vivem à margem da sociedade, enquanto a humanidade mergulha cada vez mais na tecnologia criada pelo magnata Ethan Skate (Stanley Tucci). O conceito é interessante, mas o filme não se aprofunda nas questões filosóficas que poderiam torná-lo mais instigante.

Um dos maiores problemas de The Electric State é sua falta de originalidade. Em diversos momentos, o filme parece uma colagem de elementos de outras histórias, sem oferecer nada realmente novo. Há traços de Star Wars, Blade Runner, Stranger Things e até Guardiões da Galáxia, mas sem a mesma identidade ou o impacto emocional dessas produções. O visual retro-futurista é bem trabalhado, mas nunca ganha um propósito narrativo sólido. Em vez de explorar o que torna esse universo único, o filme se contenta em jogar referências e esperar que isso seja suficiente para engajar o público.
O elenco, apesar de talentoso, pouco pode fazer para elevar o material. Millie Bobby Brown, que já provou ser uma atriz carismática, está presa em um papel genérico que exige muito mais reações surpresas do que nuances emocionais. Chris Pratt repete a mesma persona descompromissada de sempre, enquanto Stanley Tucci surge como um vilão tão caricatural que sua ameaça nunca é levada a sério. O que poderia ser um estudo de personagens imersivo se torna um desfile de figuras superficiais, sem espaço para desenvolvimento real.
Se o roteiro já não fosse problemático o suficiente, a construção do mundo também deixa a desejar. A relação entre humanos e robôs, que poderia gerar reflexões interessantes sobre consciência, livre-arbítrio e identidade, é tratada de maneira simplista e inconsistente. Os robôs são bons? São ruins? Eles morrem, enferrujam ou vivem para sempre? O filme joga essas perguntas no ar, mas nunca se compromete a respondê-las de forma satisfatória. Em vez disso, aposta na ação e nos efeitos visuais para mascarar suas lacunas narrativas.

Nem tudo é um desastre. O design de produção impressiona, e algumas sequências conseguem capturar um senso de maravilha digno da ficção científica. Além disso, o robô Cosmo traz um pouco de carisma para a trama, garantindo momentos de leveza em meio ao caos da narrativa. Mas isso não é o suficiente para salvar um filme que parece mais preocupado em parecer grandioso do que em contar uma história significativa.
No final, The Electric State não passa de um exercício estilístico vazio, um produto calculado para o streaming sem a alma ou o impacto emocional que sua premissa prometia. É um daqueles filmes que parecem ter sido montados por algoritmos, unindo grandes nomes, visuais impressionantes e uma trilha sonora nostálgica, mas sem um coração pulsante para dar sentido a tudo isso.



