Em Trago Seu Amor, comédia romântica com tons de magia, dirigida por Claudia Castro, roteiro de Leticia Fudissaku e produção de Roberto Berliner, Leo Ribeiro e Sabrina Garcia, conhecemos Mia, interpretada pela jovem e carismática atriz Giovanna Grigio, uma bruxa narcísica que possui a capacidade de fazer com que as pessoas consigam se apaixonar ou reviver um grande amor por meio da mágica de um beijo.
É por meio dessa capacidade rara que ela acaba atraindo Yuri (João Manoel), um romântico inveterado que busca seus serviços na esperança de recuperar o amor de sua ex-namorada. No entanto, o feitiço vira-se contra a feiticeira, pois Mia acaba se apaixonando por René (Jê Soares), a ex-namorada do rapaz, estabelecendo um triângulo amoroso bastante improvável.

Na trama, Mia e seu melhor amigo, Ariel (Diego Martins), possuem uma assessoria e consultoria de magia, um verdadeiro business esotérico ambientado no bairro de Santa Teresa, no Rio de Janeiro, e embalado pela bela trilha sonora de Lucas Marcier, conhecida como “Templo do Divino Amanhecer”. A inovação da produção se dá por apresentar a temática do misticismo em uma perspectiva digital, aliada à Inteligência Artificial (IA), e por contemplar a representatividade LGBTQIAPN+.
As locações são um destaque da produção, pois os cenários constroem um lócus vibrante sem deixar de ser acolhedor, integrando-se ao cotidiano de uma grande cidade como o Rio de Janeiro.
O elenco é afinado e carismático, composto por jovens atrizes e atores que demonstram química, versatilidade e sensibilidade. No entanto, isso não é suficiente para romper com a lógica dos clichês e da previsibilidade. Em um ritmo acelerado, o roteiro se perde, evidenciando falhas no desenvolvimento da narrativa.

A intenção de apresentar a bruxaria como fio condutor da história, para problematizar questões como sentimentos conflitantes, inseguranças, medos e fragilidades, não funciona como o esperado, fazendo com que o melhor aspecto do filme seja a relação e os diálogos estabelecidos entre Mia e Ariel.
Ao final, nada surpreende um espectador um pouco mais exigente, tornando a experiência, por vezes, cansativa. Em um ritmo frenético e superficial, o filme reafirma uma fórmula de produções que evitam correr riscos, mas que acabam entretendo, ainda que de forma previsível.








