Um Estado de Liberdade

Matthew McConaughey interpreta uma figura controversa em "Um Estado de Liberdade"

17.11.2016 │ 08:37

17.11.2016 │ 08:37

Matthew McConaughey interpreta uma figura controversa em "Um Estado de Liberdade"

Newton Knight, fazendeiro, confederado, desertor e líder guerrilheiro, interpretado por Matthew McConaughey em Um Estado de Liberdade, é uma figura controversa. Considerado por muitos, na história real, como um heroico lutador pela liberdade e por outros como um imprudente criminoso.

Porém no longa dirigido por Gary Ross, de Jogos Vorazes, nunca há muita dúvida sobre o tipo de homem que Newton Knight foi. Ele lembra muito o Kevin Costner de Dança com Lobos misturado com um santo professor Marxista e uma versão branca de Malcolm X. E na forma como McConaughey o interpreta, o personagem parece um pouco bom demais para ser verdade.

No filme, durante a Guerra Civil Americana, o fazendeiro Newton Knight (McConaughey) forma um grupo de rebeldes contra a Confederação. Ele é contrário à escravidão, mas também à secessão. Assim, reunindo pobres fazendeiros, o pequeno condado de Jones rompe com o grupo majoritário e forma um pequeno estado livre. Ao longo dos anos, Knight combate a influência racista do Ku Klux Klan e forma a primeira comunidade inter-racial do sul, casando-se com a ex-escrava Rachel (Gugu Mbatha-Raw).

Um Estado de Liberdade é um conto de libertação racial que mostra o derramamento de sangue heroico que foi necessário neste momento histórico, mas Ross conduz a trama de maneira que nos faz sentir muito liberais e progressistas nos dias de hoje (embora a verdade seja outra bem diferente, como bem sabemos).

Os eventos históricos retratados no filme são parte do interesse que temos nele, mas a forma como o diretor retrata tais eventos, com piedade, mas ainda assim com certa rigidez, nos deixa a pergunta de quando haverá uma urgência moral em seus personagens, como vemos em Glória, 12 Anos de Escravidão ou até mesmo no recente O Nascimento de uma Nação, em cartaz nos cinemas.

À medida que a rebelião de Knight cresce, ela assume a parte sudeste do Mississipi, incluindo o Condado de Jones, que é declarado por ele como O Estado Livre de Jones (tradução literal do título original). Parece que sua declaração também se aplica ao seu coração, uma vez que o filme mostra também o seu relacionamento com a ex-escrava Rachel.

O retrato de harmonia birracial de Um Estado de Liberdade é admirável e até emocionante, mas a encenação desta história de amor é muito decorosa e reprimida, mesmo quando a esposa de Knight, Serena (Keri Russell) e Rachel terminam compartilhando deveres. Na realidade, Knight teve cinco filhos com Rachel, que se tornou sua esposa de direito, e nove filhos com Serena, tendo vivido com as duas famílias em propriedades vizinhas. Esta história, por si só, já teria feito um filme fascinante, muito mais do que o conto que tenta simplificar uma história tão grandiosa com um romance genérico e idílico.

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