Uma Longa Viagem

18.12.2014 │ 19:47

18.12.2014 │ 19:47

Uma Longa Viagem conta a história real de Eric Lomax, um rapaz que desde muito cedo é obcecado por trens. Ironicamente, durante a Segunda Guerra Mundial, ele foi capturado junto com seu regimento, enviado para a Tailândia e forçado a participar da construção da estrada de ferro Burma-Sião (o projeto tirânico que tirou a vida de 250 mil homens durante sua execução).
O filme, baseado nas memórias do próprio Lomax, detalha a notável história de como ele foi torturado nas mãos de um jovem oficial japonês e sua busca por esse oficial anos mais tarde após o fim da guerra.
De tempos em tempos, surgem histórias de guerra que reafirmam o potencial para o bem da humanidade, mesmo nas circunstâncias mais terríveis, e essa história – que intercala a vida de Lomax adulto, com flashbacks durante a guerra – o faz com uma mensagem bastante simples e transcendente.
A direção de Jonathan Teplitzky se engrandece nos talentos de Colin Firth e Jeremy Irvine como Eric Lomax. Nos segmentos pós-guerra, vemos Firth se apaixonando por Patti (Nicole Kidman) e suas participações em reuniões de veteranos de guerra liderados por um antigo colega (Stellan Skarsgård). Já para Irvine, a carga dramática é outra. Para ele compete as cenas mais diretas, retratando os prisioneiros de guerra e a forma como eram tratados pela força japonesa.
O filme, embora bem realizado, não é tão memorável quanto a história que se propõe a contar. Isso se deve por Firth não estar envolvido na parte central da trama (os flashbacks), tirando nossa ligação emocional com os eventos que acontecerão no futuro do personagem. Não quer dizer que os flashbacks sejam mal realizados, pelo contrário, Irvine entrega uma atuação condizente com a de Firth e causa o estranhamento desejado com o início do filme, no qual temos uma linda sequência em que Lomax tenta desajeitadamente conquistar Patti.
Felizmente, o clímax do filme, onde Lomax descobre pistas sobre o oficial japonês, é de um potencial dramático respeitável e, os créditos finais, com fotografias dos reais personagens da história, comovem de maneira inenarrável.
O filme é desigual em sua condução e, embora não seja excepcional, conta uma história importante e mantem a mensagem que prega desde o início. Por essa razão, merece a devida atenção.

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