Until Dawn: Noite de Terror

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16.04.2025

Habitantes dos cantos escuros do planeta, sejam todos bem-vindos a mais uma crítica assustadora, aqui, no Quadro por Quadro

“Refazendo os últimos passos de sua irmã desaparecida, Clover e seus amigos chegam a uma casa misteriosa no meio da floresta, no entanto, passam a ser perseguidos por horrores inimagináveis”.

Baseada no videogame de mesmo nome, Until Dawn: Noite de Terror, é uma produçãoambientada no mesmo universo, no entanto, apresentando uma história original que expande a mitologia do jogo. Dirigida por David F. Sandberg (Quando as Luzes se Apagam), escrita por Gary Dauberman e Blair Butler, é estrelada por Ella Rubin, Michael Cimino (Annabelle 3: De Volta para Casa), Odessa A’zion (Hellraiser: Renascido do inferno), Ji-young Yoo, Belmont Cameli e Peter Stormare (Armageddon), esse último repetindo seu papel do game.

Adaptar diferentes mídias para o cinema quase nunca é um trabalho fácil — ainda mais se tratando de videogames, especialmente quando a fonte original brinca com a interatividade do jogador como elemento-chave da narrativa – Until Dawn: Noite de Terror surpreende por conseguir transpor com eficiência a atmosfera densa, os dilemas morais e a constante dinâmica de perseguição tal qual um jogo de gato e rato em que esse estilo de jogo tanto se pauta.

Retornando…

Until Dawn: Noite de Terror é repleto de pontos positivos, e consegue se sair bem até quando os clichês são inevitáveis, não somente adaptando bem o material em que se baseia, mas, também como um filme em si. É um filme bem montado, que já apresenta todos os personagens, motivações, e demais informações teóricas (por assim dizer) nos primeiros 15 minutos, criando assim, uma base muito sólida para todo o desenrolar audiovisual dali em diante.

A história é simples, enxuta, porém relacionável. Em contato com a atualidade, retrata personagens modernos, com características estereotipadas porém em sintonia com as gerações atuais. O espectador para e pensa “É, hoje em dia as pessoas são assim”. É nisso que o “plot twist” em relação a expectativa do fã de terror acontece, a obra surpreende todas as camadas, seja de quem jogou a franquia, seja quem não acredita muito em adaptações de videogames, ou de quem simplesmente não imaginava que esse filme seria minimamente razoável. Tanto o roteiro quanto a direção pavimentaram para que fosse possível construir uma experiência artística e audiovisual relevante para os adeptos do gênero, trazendo conceitos presentes tanto nos jogos quanto no cinema de horror.

Até o Amanhecer (em tradução livre) nos proporciona um punhado de sustos, mexendo levemente com as nossas emoções, e trabalhando diferentes subgêneros do horror, como “sobrevivência”, “pessoal”, “psicológico”, assim como também o “slasher”, o “gore”, o “humor negro”, “sobrenatural”, dentre outros.

A produção realmente se superou nesse filme, nos entregando cenários sensacionais, muito caprichados, que nos insere tanto no conceito atemporal que a história propõe, mas também nos diferentes ambientes quanto nos variados subgêneros do terror.

Sobre os pontos negativos, eles não impactam na experiência, mas, certamente alguns elementos, que ficam meio aquém do resto da proposta, como um determinado flashback, parece que foi inserido para mais na frente ser utilizado de uma outra forma que acabou não acontecendo. E além disso, boa parte do “terço final” da obra não manteve a mesma qualidade ou disposição que o filme passou o tempo todo construindo, o que não é um problema necessariamente desse filme em si ou de sequer do terror, mas, que ao meu ver, poderia ter sido um pouco mais corajoso.

Já numa questão mais pessoal sem contar como ponto negativo ou positivo, o conceito da noite (ou dia) que se repete, apresentado em outras obras como No Limite do Amanhã ou no clássico Feitiço do Tempo, não me agrada tanto, já que tira um pouco da expectativa, do suspense e do mistério, mas, ao mesmo tempo, achei que foi executada de maneira bem competente aqui, em Noite de Terror, de uma maneira como se eles tentassem recriar, com essa solução, a possibilidade que um jogador tem de rejogar as cenas, e interagir com a história de uma outra maneira.

  • Abrindo um “parênteses”, uma curiosidade sobre o jogo, é que os personagens receberam a aparência de vários atores conhecidos, como o já citado Peter Stormare (Que repete o seu personagem no filme), Rami Malek, Hayden Panettiere, e Brett Dalton.
  • A produção é populada de influências e referências do cinema de terror, como A Morte do Demônio de Sam Raimi, [REC] de Jaume Balagueró e Paco Plaza dentre muitas outras.
  • Seja em conceitos, personagens, ou elementos visuais, também pode-se notar a influência de videogames como Silent Hill, Resident Evil e Outlast.

Na minha opinião esse filme acertou na produção, na escolha dos atores, em não adaptar fielmente a história do jogo, – abordando elementos da propriedade intelectual, mas, com uma nova história expandindo a mitologia – a sony e playstation também mandaram muito bem na escolha do game para ser adaptado, e entregaram um entretenimento honesto.

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AUTOR

Pedro Fonseca

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