Vingadora

(2025) ‧ 1h31

19.03.2026

Entre tiros e clichês: uma vingança sem impacto

Vingadora aposta em uma fórmula já bastante conhecida do cinema de ação: a mãe disposta a tudo para resgatar a filha sequestrada. A premissa, que remete diretamente a Busca Implacável, tenta se sustentar no carisma de sua protagonista e na promessa de uma jornada intensa pelo submundo do crime, mas encontra dificuldades para se destacar em meio a tantas referências evidentes.

A trama acompanha Nikki, uma ex-militar altamente treinada que é forçada a voltar à ativa quando sua filha desaparece. A partir daí, o filme mergulha em uma narrativa de perseguição e vingança que deveria ser eletrizante, mas que acaba se apoiando excessivamente em soluções fáceis e previsíveis. Cada nova pista parece menos uma descoberta e mais uma obrigação de roteiro.

Milla Jankovic se entrega fisicamente ao papel, demonstrando comprometimento nas cenas de ação e mantendo uma presença firme ao longo do filme. No entanto, mesmo com esforço, sua personagem nunca ultrapassa o arquétipo da “máquina de combate emocionalmente fechada”, o que dificulta qualquer conexão mais profunda com o público.

O principal problema de Vingadora está na execução. As sequências de ação, que deveriam ser o grande atrativo, sofrem com uma montagem confusa e uma direção que parece incapaz de organizar o espaço e o movimento. Lutas mal coreografadas e cortes abruptos comprometem o impacto das cenas, tornando difícil até mesmo entender o que está acontecendo em determinados momentos.

Além disso, o roteiro não ajuda. Os diálogos são expositivos e pouco inspirados, frequentemente explicando o que já está claro ou tentando dar peso dramático a situações que não foram devidamente construídas. A tentativa de criar um tom mais sombrio e intenso acaba soando artificial, como se o filme quisesse se levar mais a sério do que realmente consegue sustentar.

Há também uma sensação constante de repetição, como se o filme estivesse reciclando ideias sem acrescentar qualquer nova perspectiva. Mesmo quando tenta surpreender, especialmente em seus momentos finais, as escolhas narrativas soam deslocadas e pouco convincentes, enfraquecendo ainda mais o conjunto.

Vingadora se perde entre a intenção de ser um thriller de ação impactante e a incapacidade de executar seus próprios elementos com precisão. Apesar do empenho da protagonista, o resultado é um filme que dificilmente se sustenta, deixando a sensação de que nem mesmo sua fúria é suficiente para torná-lo memorável.

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AUTOR

Felipe Fornari

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