“Atribuída a trabalhar em uma planta alienígena que apareceu na Terra, Rita se vê presa em um mortal laço temporal, ao qual irá lutar com unhas e dentes para sair dele”.
Escrita por Yuichiro Kido, adaptada do romance Você Só Precisa Matar de Hiroshi Sakurazaka, dirigida por Kenichiro Akimoto, produzida pelo “Estúdio 4°C”, e estrelada por Ai Mikami, e Natsuki Hanae, Você Só Precisa Matar é uma animação interessante que adapta a obra original sob o ponto de vista de Rita Vrataski, muito diferente do filme “live action” de 2014 (No Limite do Amanhã) com Tom Cruise, Emily Blunt e Bill Paxton.
“Vamos juntos viver o amanhã”
Darol é o novo ser que habita o planeta terra, uma árvore gigantesca que veio do espaço, gerando um evento que alterou para sempre o curso da humanidade. O grupo de militares chamado de “Força de Defesa Unida” é quem faz o manejo e pesquisa do alienígena.

No marco de um ano do “aparecimento” de Darol, acontece algo inesperado, enquanto um grupo de soldados está em suas atividades rotineiras, seres planta monstruosos (semelhantes aos Demogorgons de Stranger Things) surgem e os atacam mortalmente, e em meio ao fatídico evento, está a protagonista, Rita, que além de ser atacada e morta, passa por algum tipo de alteração, que a faz acordar em sua cama, revivendo o mesmo estranho dia.
Nesse cenário, paradoxalmente, acompanhamos a rotina de Rita, que vive sempre o mesmo dia, tentando entender os acontecimentos sem enlouquecer, sofrendo dor física e mortes dilacerantes em uma realidade que parece surreal e insana.
Sua luta é solitária, e não apenas contra os mortais seres alienígenas, como também interna, contra os seus traumas psicológicos, pensamentos intrusivos, sua personalidade e maneira de enxergar a vida.
Rita é uma personagem introspectiva, com dificuldades de socialização, que costuma viver um dia após o outro sem muita expectativa ou ambição, e em meio a problematização apresentada, ela passa a treinar para melhorar o que são seus pontos negativos e assim tentar superar os obstáculos, a si mesma e as condições em sua volta.
Do lado oposto, enquanto Rita é voltada para dentro de si, Kenji é extrovertido, e apesar de viver em conflito com a solidão, ele também enxerga toda a beleza que existe ao seu exterior.
E essa dualidade é unificada à medida em que os personagens se encontram, se conhecem e interagem, fazendo com que a atração desses opostos crie um personagem único, cheio de conflitos e crescimento, o que gera um arquétipo ou até mesmo uma persona profundamente relacionável.
Darol é o centro das atenções, a árvore alienígena que mudou o mundo, uma espécie de “Elefante Branco”, que gerou o “novo normal” entre o grupo de jovens militares encarregados de cuidar e estudar este curioso ser.
Obviamente, a obra é uma animação japonesa, com todas as características pelas quais as produções desse país são conhecidas, no entanto mesclando também em uma “linguagem” mais universal, componentes internacionais, trazendo consigo, elementos visuais e narrativos, dos mais tradicionais e modernos, aos clássicos e atuais.

A técnica de animação em si me deixa dividido, de maneira geral não deprecia a obra, mas, me fez levar um bom tempo para me acostumar, já que muitas vezes parece algo travado e pouco fluído.
O design, sobretudo dos cenários e plano de fundo é muito bonito, interessante e até gostoso de admirar, já o dos personagens, principalmente atrelados a técnica de animação, me deixou bastante chateado (claro, isso é algo que pode ser aferido no trailer), nos momentos piores faz lembrar algo estilo “Cartoon Network”, e nos melhores, produções da MTV nos anos 90, como Aeon Flux, mas, anime e atual.
Além disso, algumas soluções de roteiro parecem comuns demais, e quase “Ex-Machina”, principalmente no terço final.
Se você não conhece absolutamente nada sobre a história e seus elementos, Você Só Precisa Matar pode parecer um pouco difícil no começo, mas, com o tempo acostuma, se tornando surpreendente em sua totalidade.
Você Só Precisa Matar é uma luta por autodescoberta, se enxergar no outro, se abrir para o mundo exterior, e trabalhar exaustivamente para superar a si mesmo, as dificuldades, obstáculos, e assim se permitir “viver o amanhã”.
Reflexivo e emocionante na medida certa, esse drama sci-fi é um entretenimento visual e narrativo digno de ser assistido nos cinemas, mas, devido a algumas ressalvas, leva a nota de 3,5.




