Dirigido e roteirizado por Nadav Lapid, o pano de fundo do filme é a sociedade israelense após os ataques de outubro de 2023. Trata-se de uma sátira política que opera por meio de um caos deliberado, por vezes delirante, oscilando entre o cômico e o absurdo.

Podemos dizer que o filme busca construir o retrato de uma sociedade que vive um genocídio e se recusa a enxergar, expondo e confrontando o discurso oficial do Estado de Israel e uma elite política e econômica decadente, esvaziada de sentido, que consome a arte como ornamento enquanto legitima a barbárie. Busca expor, assim, uma mesma sociedade que se pergunta “como foi possível viver em meio a tantos horrores?” e que, no presente, é incapaz de olhar para o próprio umbigo. Ou seja, há a intenção de expor feridas, a hipocrisia social, o abuso de poder e a falência moral das elites, um pano de fundo que parece permanecer ao fundo.
Enfim, a sinopse: a narrativa gira em torno de um casal, Y e Jasmine. Y é um músico de jazz em decadência, e Jasmine, dançarina. O casal sobrevive apresentando-se para um público restrito, formado por membros da elite política e econômica israelense. A situação se intensifica quando Y aceita o convite para compor um novo “hino” nacional, símbolo do discurso oficial do Estado e do Exército de Israel, decisão que coloca em jogo os limites éticos de sua trajetória profissional e de sua própria consciência.

A opção é pela estética do excesso. O filme é caótico, ruidoso e flerta com o grotesco. A duração também é excessiva: são duas horas e meia de duração (que parecem infinitas), resultando em uma experiência exaustiva. Parece perder aquilo que pretendeu denunciar.








