Todo Mundo em Pânico 2 retoma a fórmula do primeiro filme ampliando ainda mais sua proposta de paródia desenfreada, agora com foco maior em clássicos do terror sobrenatural. Logo na abertura, a sátira de O Exorcista deixa claro o tom: escrachado, exagerado e disposto a ultrapassar qualquer limite de bom gosto em nome da piada.
A trama, assim como no antecessor, serve apenas como pretexto para uma sucessão de gags. Ao reunir novamente personagens como Cindy e seus amigos em uma mansão supostamente assombrada, o filme encontra um cenário ideal para brincar com referências a obras como A Casa Amaldiçoada e Poltergeist. No entanto, essa estrutura episódica torna a narrativa ainda mais solta e irregular.

O humor aposta fortemente no grotesco, com uma quantidade quase interminável de piadas envolvendo fluidos corporais e situações constrangedoras. Em um primeiro momento, o impacto funciona — há um certo choque que provoca riso. Mas, à medida que o filme avança, a repetição desse recurso torna tudo previsível e cansativo.
Ainda assim, há momentos pontuais que realmente funcionam. Algumas sequências isoladas conseguem capturar o espírito da paródia com eficiência, especialmente quando combinam referências reconhecíveis com timing cômico preciso. O problema é que esses acertos são espaçados por longos trechos que parecem apenas preencher tempo.
Comparado a clássicos do gênero como Apertem os Cintos… O Piloto Sumiu!, Todo Mundo em Pânico 2 carece de consistência. A estratégia de “atirar para todos os lados” até pode render risadas ocasionais, mas raramente constrói uma comicidade sólida ao longo do filme. A sensação é de que as melhores ideias foram usadas cedo demais.

O elenco, por sua vez, parece completamente entregue à proposta, o que garante uma energia caótica que combina com o tom da produção. Há uma clara sensação de liberdade nas atuações, como se tudo fosse permitido — o que, por um lado, contribui para o humor anárquico, mas, por outro, reforça a falta de controle do conjunto.
No fim, Todo Mundo em Pânico 2 diverte em doses pequenas, mas se desgasta rapidamente. É um filme que aposta no excesso como principal ferramenta, sem perceber que, muitas vezes, menos seria mais. Para quem aprecia esse tipo de humor sem filtros, ainda há o que aproveitar — mas está longe de repetir o impacto do original.





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