A Serva

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25.02.2024

Quando foi a última vez que você assistiu a uma combinação dessas: cinebiografia com tema religioso? Se a resposta for “nunca” ou você nem lembra, não comece agora.

A Serva é de longe uma péssima pedida como opção de filme, mais ainda se for como o meu caso, de assistir o longa em sua versão dublada, mesmo quando ele foi enviado diretamente da distribuidora. Simplesmente uma morte horrível.

A história se passa em dois tempos principais, o atual e também em 1875. Quem faz a ponte entre os dois é Lera (Carolina Aller) uma ucraniana que vive na Espanha e narra os acontecimentos da vida da Madre Vicenta María (Cristina González del Valle), uma freira que viveu há mais de 200 anos e cujas ações perpetuam até hoje. A jornada que acompanhamos mostra Lera sendo presa, neste momento ainda não sabemos se justa ou injustamente. Na cadeia, ela se encontra com duas prostitutas, e durante a noite que são obrigadas a permanecer no cárcere, as três começam a conversar. Lera conta às outras duas as ações que definiram a vocação de Vicenta María e foram responsáveis por mudar a vida de milhares de outras mulheres, inclusive a sua.

Dos poucos pontos positivos da trama, a forma como ela foi ambientada, no interior da Espanha, é um deles, mesmo que de forma sutil. O outro é o testemunho da causa e si, que se mantém pertinente até hoje, inclusive, talvez hoje ainda mais, pois as bandeiras que envolvem os movimentos pelas mulheres nunca estiveram hasteadas tão alto. Infelizmente, as atuações e a própria produção dos atores ficaram muito a desejar (maquiagem por exemplo), não parece real, bem como alguns cenários em que faltam itens de cena que a façam parecer verdadeira.

Quem gosta mesmo do gênero, e realmente existe público para tudo e públicos devem ser respeitados e atendidos, vai gostar do filme e da história, mas além desse grupo é difícil acreditar que A Serva vá emplacar nas bilheterias. Fica como dica a se evitar ou não, caso você queira arriscar.

ONDE ASSISTIR

AUTOR

Thais Wansaucheki

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