Jurassic World: Domínio chega prometendo encerrar a trilogia iniciada em 2015 com um clímax épico, reunindo personagens clássicos e atuais em um mundo onde humanos e dinossauros coexistem. No entanto, apesar do potencial embutido nessa premissa, o filme se perde em subtramas exageradas e escolhas criativas que desviam o foco do que realmente importava: os próprios dinossauros. É curioso notar que, quase 30 anos após o lançamento de Jurassic Park: Parque dos Dinossauros, os monstros pré-históricos já não são mais o centro da atenção — e talvez isso diga muito sobre o desgaste da franquia.
O ponto alto da experiência está, sem dúvida, no retorno do trio original — Alan Grant, Ellie Sattler e Ian Malcolm. Sam Neill, Laura Dern e Jeff Goldblum trazem carisma, nostalgia e uma química que faz a tela ganhar vida, mesmo nos momentos em que o roteiro vacila. É a aposta certeira na memória afetiva que segura boa parte do longa. O problema é que o filme parece depender exclusivamente disso, sem oferecer uma narrativa coesa ou surpreendente para acompanhar a reunião.

A trama se divide em dois núcleos: de um lado, Owen, Claire e a jovem Maisie tentam resgatá-la após seu sequestro; de outro, Ellie e Grant investigam uma praga de gafanhotos gigantes manipulados geneticamente. Sim, você leu certo. Ao tentar expandir demais o universo da franquia, Jurassic World: Domínio se distancia perigosamente da proposta original. O argumento da coexistência entre humanos e dinossauros — que poderia render reflexões e situações incríveis — é deixado de lado em prol de um enredo recheado de vilões caricatos e perseguições exageradas.
Quando finalmente os dois núcleos se cruzam, o filme já passou da metade e boa parte da paciência do público foi testada. A tentativa de resgatar o espírito de Jurassic Park no terceiro ato rende algumas boas cenas, mas nada que se aproxime do impacto que Spielberg alcançou em 1993 ou mesmo do frescor trazido por Jurassic World: O Mundo dos Dinossauros em 2015. É tudo muito grande, mas com pouco peso dramático. Até o confronto final contra o “maior carnívoro da história” soa genérico e pouco empolgante.
Visualmente, o filme impressiona. Os efeitos especiais estão no auge, com dinossauros que nunca pareceram tão reais. Há momentos belíssimos, como a cena de migração ao lado de elefantes, que mostram o que poderia ter sido se o filme tivesse apostado mais em contemplação e menos em ação desenfreada. Mas essas pérolas são raras em meio a um mar de barulho e pressa.

No fim das contas, Jurassic World: Domínio é mais um blockbuster que prefere correr atrás de adrenalina do que explorar a maravilha do desconhecido. A longa duração pesa e o roteiro, repleto de clichês e distrações desnecessárias, cansa. A sensação é de que, em vez de encerrar a franquia com dignidade, o filme apenas reforça o quanto ela já se esgotou — uma espécie de “o melhor de” sem o brilho do original.
Talvez fosse hora de deixar os dinossauros em paz. Ou melhor: deixá-los onde eles funcionam melhor — como símbolos de fascínio e perigo, e não como coadjuvantes em tramas mirabolantes. Jurassic World: Domínio tenta ser muita coisa ao mesmo tempo, mas termina como o elo mais fraco dessa nova trilogia.





Clique abaixo para ler nossas críticas:



