O Troll da Montanha 2

(2025) ‧ 1h45

22.11.2025

Entre mitos e bagunças

O Troll da Montanha 2 tenta expandir o pequeno fenômeno norueguês que a Netflix apresentou há alguns anos, mas acaba tropeçando justamente onde mais precisava firmeza: na construção de uma sequência que faça sentido para além do espetáculo. O novo megatroll desperta já em modo destruição total, e o filme rapidamente abraça o caos, mas sem dar ao público a mesma sensação de descoberta ou mistério do original.

A premissa até promete algo interessante: uma criatura ainda maior, mais perigosa e com uma conexão mais profunda à mitologia local, agora direcionando sua fúria a Trondheim. Porém, apesar do potencial dramático, o longa segue por um caminho mais raso, preferindo acelerar rumo às cenas de destruição em vez de desenvolver suas ideias – ou seus personagens. Tudo parece existir apenas para levar o filme de uma sequência de ação à próxima.

Nora, Andreas e o Capitão Kris retornam ao centro da narrativa, mas suas motivações são frágeis e frequentemente atropeladas por decisões de roteiro que mudam ao sabor da conveniência. A protagonista, por exemplo, oscila entre estudiosa sensível e combatente impassível sem transições convincentes, enquanto novos aliados surgem mais como acessórios do que como figuras relevantes para a trama.

Há também a tentativa de inserir leituras simbólicas sobre tradição, identidade e até tensões históricas do país, especialmente quando o filme evoca o papel dos antigos reis noruegueses na suposta erradicação dos trolls. Mas essas ideias ficam soltas, insinuadas sem profundidade, como se o filme temesse assumir qualquer interpretação mais robusta.

O que resta, então, é a ação – e mesmo ela não se destaca o bastante. Os efeitos são competentes, algumas cenas de devastação impressionam pela escala, e o humor ocasionalmente funciona, mas nada disso compensa a sensação de déjà-vu. O filme brinca com ecos de Jurassic Park, Indiana Jones e até filmes de comunicação com criaturas à la A Chegada, mas nunca cria sua própria identidade.

É frustrante perceber que o universo mitológico que sustenta O Troll da Montanha 2 poderia render algo muito mais singular. A mitologia nórdica raramente é usada em monstros gigantes com essa ambição visual, mas aqui ela serve mais como pano de fundo decorativo do que como motor narrativo. O resultado é um filme que não se compromete com nenhuma das suas possibilidades.

No fim, a sequência até diverte em momentos isolados, mas carece do frescor, da curiosidade e da coesão emocional que fizeram o primeiro longa ganhar tração. Como blockbuster, cumpre tabela. Como continuação, decepciona. Com isso, O Troll da Montanha 2 se afirma como um espetáculo grandioso, porém vazio — um filme que parece sempre à procura de algo a mais, sem nunca encontrar.

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AUTOR

Felipe Fornari

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