A Empregada

(2025) ‧ 2h11

21.12.2025

Entre o luxo, o desejo e a paranoia

A Empregada mergulha de cabeça em um suspense provocativo que bebe diretamente da fonte dos thrillers eróticos dos anos 1990, abraçando sem pudor o exagero, a tensão sexual e os jogos psicológicos. Sob a direção de Paul Feig, conhecido por comédias escancaradas, o filme surpreende ao adotar um tom sério apenas na medida certa, flertando constantemente com o absurdo e tornando essa mistura parte essencial de seu charme.

A história acompanha Millie, vivida por Sydney Sweeney, uma jovem marcada por um passado problemático que vê naquele emprego a chance de recomeçar. Desde sua chegada à mansão isolada dos Winchester, o filme estabelece uma atmosfera de estranhamento: tudo é grande demais, limpo demais, silencioso demais. A sensação de que algo está fora do lugar se impõe rapidamente, mesmo antes de qualquer revelação mais explícita.

Amanda Seyfried constrói uma Nina instável, inquietante e imprevisível, transitando com facilidade entre a cordialidade artificial e acessos de crueldade calculada. Já Brandon Sklenar surge como o marido aparentemente compreensivo, figura que desperta empatia e desejo, não só em Millie, mas também no espectador. O filme se alimenta dessa ambiguidade constante, explorando olhares, gestos e silêncios com evidente prazer.

O grande trunfo de A Empregada está em como manipula a percepção de quem assiste. Assim como Millie, somos levados a duvidar do que vemos e ouvimos, presos a uma narrativa que distorce informações e joga com a ideia de gaslighting. A mansão deixa de ser apenas um espaço físico e se transforma em um labirinto psicológico, onde cada cômodo parece esconder uma nova armadilha.

Paul Feig conduz a trama com uma energia quase camp, apostando em reviravoltas escancaradas e atuações que não têm medo de ultrapassar o limite do verossímil. Há mudanças de ponto de vista e revelações abruptas que reorganizam a narrativa, reforçando a sensação de que nada ali é exatamente o que parece. O filme sabe que está exagerando — e faz disso uma virtude.

Sydney Sweeney sustenta o centro emocional da história com eficiência, equilibrando vulnerabilidade e astúcia. Sua Millie não é apenas vítima das circunstâncias, mas alguém que aprende rapidamente a jogar o jogo imposto por aquele ambiente tóxico. A química entre o trio principal é essencial para manter o suspense vivo, alimentando tanto o desconforto quanto a curiosidade.

No fim, A Empregada não busca sutileza nem profundidade psicológica. Seu objetivo é entregar um entretenimento tenso, provocativo e deliciosamente exagerado, que abraça o prazer do suspense clássico sem pedir desculpas. Pode ser absurdo em vários momentos, mas é justamente essa entrega sem vergonha que transforma o filme em uma experiência envolvente e surpreendentemente divertida.

ONDE ASSISTIR

AUTOR

Felipe Fornari

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