Aquele Natal

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30.11.2024

Um conto de Natal familiar em "Aquele Natal"

Aquele Natal, nova animação da Netflix coescrita por Richard Curtis, oferece uma abordagem acolhedora e familiar ao espírito natalino. Baseado nos livros infantis ilustrados do mesmo autor, o filme se passa na fictícia Wellington, uma cidade litorânea afetada por uma tempestade de neve que vira de cabeça para baixo os planos de fim de ano de seus moradores. Com um elenco de personagens interligados por pequenas histórias, a animação entrega momentos doces e reflexivos, mas falta um toque mais marcante de humor ou inovação.

A ambientação de Wellington é encantadora, com suas casinhas pitorescas e uma comunidade próxima. A tempestade de neve, que serve como catalisador para os eventos do filme, não apenas desafia os personagens, mas também simboliza os imprevistos que tantas vezes moldam nossas celebrações. O filme captura bem o espírito de superação e solidariedade que a época do Natal inspira.

Entre os destaques da narrativa, estão o jovem Danny, que teme não passar o Natal com seu pai ausente, e a dupla de gêmeas que se veem em uma confusão graças a um erro do Papai Noel. Essas histórias simples, mas carregadas de emoção, lembram os melhores momentos de outras produções do  roteirista Richard Curtis, como Simplesmente Amor, mas aqui o açúcar é um pouco exagerado, arriscando cair no piegas.

Outro ponto interessante é a inserção de subtramas como a professora rígida que revela sua fragilidade e a menina criativa que lidera um espetáculo escolar nada convencional. Essas histórias reforçam a ideia de que o Natal é mais sobre conexão humana do que sobre perfeição. No entanto, algumas dessas tramas poderiam ter sido mais desenvolvidas, deixando uma sensação de superficialidade em vez de profundidade.

A dublagem de Brian Cox como Papai Noel traz carisma ao personagem, mas a animação em si não alcança a mesma sofisticação visual de outras animações mais bem desenvolvidas. O design é agradável, mas falta o brilho ou a inovação que poderiam elevá-lo ao nível das melhores animações natalinas.

O humor, elemento essencial para equilibrar a doçura de um filme como este, aparece em momentos pontuais, mas não com a força necessária. Algumas piadas são eficazes, especialmente as que brincam com o legado de Curtis, mas o tom geral é mais suave e voltado para o público infantil, o que pode deixar os adultos esperando por mais.

No fim, Aquele Natal é uma celebração do espírito natalino com um toque emocional típico de Richard Curtis. Embora não seja uma obra-prima ou particularmente inovadora, oferece uma experiência reconfortante para famílias que buscam algo leve e envolvente para assistir juntos nas festas de fim de ano. Ideal para criar momentos de aconchego, mesmo que não deixe uma impressão tão duradoura quanto as nevascas de Wellington.

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AUTOR

Felipe Fornari

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