Chefes de Estado aposta na fórmula consagrada do “inimigos que precisam trabalhar juntos” e, mesmo sem reinventar a roda, entrega um entretenimento eficiente para quem procura ação leve e algumas boas risadas. Com direção de Ilya Naishuller — conhecido por Anônimo e Hardcore: Missão Extrema — o filme mistura geopolítica, pancadaria coreografada e comédia com o carisma de seu elenco principal como principal trunfo.
Na trama, o presidente dos Estados Unidos, Will Derringer (John Cena), e o primeiro-ministro britânico, Sam Clarke (Idris Elba), mal conseguem dividir o mesmo ambiente sem trocarem farpas. A rivalidade pública entre os dois coloca em risco até mesmo as relações diplomáticas entre seus países. Mas quando se tornam alvo de uma conspiração internacional liderada por um perigoso ex-mercador de armas, são forçados a unir forças e confiar um no outro — tudo isso enquanto tentam sobreviver, impedir um ataque global e ainda comparecer à cúpula da OTAN.

O roteiro é absolutamente genérico — e sabe disso. A grande sacada de Chefes de Estado é transformar sua previsibilidade em algo palatável, principalmente graças à edição ágil e às boas cenas de ação. O humor físico de Cena combina bem com a sisudez de Elba, e a química entre os dois sustenta boa parte do ritmo da história. Priyanka Chopra Jonas entra na equação como a agente do MI6, Noel Bisset, com presença firme, embora seu arco romântico soe deslocado e pouco necessário.
Visualmente, o filme é um deleite. A sequência de abertura no festival da Tomatina, na Espanha, já demonstra a disposição da produção em apostar em cenários inusitados e sets vibrantes. Há uma estética quase cartunesca em algumas situações, mas isso só contribui para o tom escapista que o longa propõe desde o início. A trilha sonora e a montagem acompanham bem esse espírito.
Os vilões, por outro lado, deixam a desejar. Paddy Considine até tenta trazer algum peso à figura de Viktor Gradov, mas o antagonista carece de complexidade. Em contrapartida, Jack Quaid rouba a cena com sua veia cômica como o atrapalhado agente Comer, garantindo alguns dos melhores momentos do filme.

Mesmo que brinque com temas sérios como espionagem e segurança internacional, Chefes de Estado nunca se leva a sério demais. E isso é uma bênção. Ilya Naishuller parece entender que seu papel aqui não é discutir política, mas sim entregar uma comédia de ação energética, com dois astros trocando piadas e socos em igual medida.
No fim, Chefes de Estado é o tipo de filme ideal para um sábado à noite descompromissado: divertido, ritmado e ligeiramente esquecível. Não vai redefinir o gênero, mas cumpre com folga a missão de entreter. E às vezes, é só isso que a gente quer.



