O retorno de Andy e sua equipe parecia garantia de um espetáculo sanguinolento, mas a sensação predominante em The Old Guard 2 é de energia dissipada. Passaram‑se cinco anos desde o “boom pandêmico” que fez o primeiro filme virar hit instantâneo na Netflix, e o streaming apostou que bastaria repetir a dose para manter o público cativo – esqueceu‑se, porém, de renovar os ingredientes.
No papel, tudo soa promissor: Charlize Theron encara a própria mortalidade; KiKi Layne reafirma Nile como sucessora natural; Uma Thurman surge como Discord, a “primordial” vingativa; Vân Veronica Ngô retorna como Quynh; e Henry Golding adiciona charme como o misterioso Tuah. O problema é que o roteiro de David Koepp (em modo piloto‑automático) não consegue dar profundidade a nenhum desses arcos. As motivações soam aleatórias, os diálogos expositivos e até o conflito central — tecnologia versus vendeta milenar — se resume a cenas de PowerPoint com vilão explicando plano maligno.

A troca de comando na direção pesa. Gina Prince‑Bythewood imprimira identidade visual crua e contundente ao primeiro filme; Victoria Mahoney prefere soluções televisivas, com luz chapada e enquadramentos que pouco exploram a fisicalidade dos embates. A sequência de abertura — uma perseguição rodoviária digna de Velozes & Furiosos — até promete adrenalina, mas logo se percebe um tom errático: o humor leve e os ângulos grandiosos dali não voltam mais, substituídos por longos corredores mal iluminados onde dublês trocam golpes sem impacto dramático algum.
Também falta senso de consequência. Se o grande gancho de The Old Guard era lidar com a angústia de morrer “pela primeira vez” depois de séculos, aqui a mortalidade de Andy serve só de obstáculo pontual, lembrado e esquecido conforme a conveniência da cena. Já Discord, vendida como ameaça existencial, tem desenvolvimento raso — mais uma vilã que faz discursos sobre exterminar a humanidade, mas cujo plano jamais transmite urgência.
Ainda assim, lampejos de vigor surgem quando o filme foca no que funcionou antes: a relação apaixonada de Joe e Nicky traz humor e ternura; Charlize segura o carisma de heroína cansada; e pequenas vinhetas de flashbacks (como o massacre que moldou Discord) oferecem vislumbres do épico que poderíamos estar vendo. São momentos que lembram o potencial de uma franquia sobre imortais lidando com séculos de escolhas morais — potencial que, de novo, a produção parece temer explorar por completo.

O ato final dobra a aposta numa reviravolta à moda Universo Marvel, encerrando tudo num gancho “volte no próximo filme”. Esses ganchos funcionam quando o capítulo anterior entrega enredo robusto; aqui deixam gosto agridoce, como se se pedisse assinatura vitalícia sem fornecer capítulo digno de lembrança. Depois de créditos, sobra a pergunta: quantos espectadores retornarão à lâmina já enferrujada na terceira investida?
No fim, The Old Guard 2 tem elenco afiado, mas lâmina pouco polida. É entretenimento passável para uma noite chuvosa no streaming — e só. Resta torcer para que um eventual terceiro filme aprenda a usar o tempo (literalmente infinito) desses personagens para algo além de reciclar tiroteios e promessas nunca cumpridas.





Clique abaixo para ler nossas críticas:


