Da Magia à Sedução: Feitiço de Amor

(2026) ‧ 2h10

A magia da nostalgia ainda seduz

Ricardo Feldmann Dotto

O retorno de Sandra Bullock e Nicole Kidman como Sally e Gillian Owens, acompanhadas novamente por Dianne Wiest e Stockard Channing (as tias Jet e Franny) é um evento bruxólico.

Ambientada cerca de vinte e cinco anos após os eventos do primeiro filme, a história de Da Magia à Sedução: Feitiço de Amor acompanha um novo momento de crise para a família Owens.

Sob o comando da diretora Susanne Bier (conhecida por trabalhos como Caixa de Pássaros e O Casal Perfeito), o filme aposta em uma estética aconchegante, focada na atmosfera rústica e mágica que marcou o primeiro longa, agradando visualmente quem sentia falta desse tipo de fantasia romântica nos cinemas.

Inspirado no romance O Livro da Magia, de Alice Hoffman, o enredo desenrola-se de forma não tão inspirada quanto o primeiro filme. Mas mesmo tendo um roteiro mais fraco, seduz por não perder a aura de magia.

A trama ganha força quando Kylie (interpretada por Joey King), a filha mais velha de Sally, começa a descobrir segredos ocultos sobre o passado de sua linhagem e a desenvolver suas próprias habilidades mágicas, muitas delas ligadas a vertentes mais sombrias. Para evitar que a história trágica de sua família se repita e para salvar a próxima geração, as irmãs Sally (Sandra Bullock) e Gillian (Nicole Kidman), juntamente com as tias Jet e Franny (Dianne Wiest e Stockard Channing), precisam se reunir novamente.

As mulheres da família Owens deixam sua tradicional casa em Massachusetts rumo ao Reino Unido para confrontar diretamente a fonte original de sua magia e tentar quebrar, de uma vez por todas, a secular maldição amorosa que assombra sua descendência.

Nessa jornada, a família também precisa lidar com ameaças externas, incluindo um misterioso feiticeiro das trevas que tenta manipular os poderes de Kylie, ao mesmo tempo em que novos romances e aliados acadêmicos, como o pesquisador Ian Wright (Lee Pace) cruzam os caminhos de Sally.

O longa se mantém equilibrando a nostalgia do clássico de 1998 com problemas de ritmo e roteiro. Embora a química entre Sandra Bullock e Nicole Kidman (apesar de serem meio “chatinhas e irritantes” às vezes nesse filme) e as atuações do novo elencos serem boas, a produção é muito longa e tem uma mitologia confusa, sofrendo com excesso de tramas paralelas para acomodar a nova geração da família Owens. Por outro lado, o filme cumpre o papel de resgatar o clima nostálgico.

A dinâmica entre as atrizes veteranas continua sendo o coração da história e o principal atrativo para os fãs do clássico de 1998.

A entrada de Joey King e Maisie Williams (interpretando as herdeiras da família e lidando com novas vertentes da maldição amorosa), poderiam ser melhores, para uma futura opção de passar o bastão.

Em suma, a continuação chega sustentada pela forte nostalgia dos fãs e pela atmosfera mágica e intimista. Destaque para a trilha com músicas de Stevie Nicks que cai como uma luva para o universo wicca da película.

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