Dreams

(2024) ‧ 1h50

19.06.2025

"Dreams": Entre o que foi e o que se sonhou

Dreams, no original Drømmer é um filme norueguês dirigido por Dag Johan Haugerud. Ele faz parte de uma trilogia de filmes do diretor que exploram relacionamentos humanos e é o terceiro da série, seguindo Sex e Love.

O filme acompanha a paixão de Johanne, uma adolescente de 15 anos, por sua professora de francês, Johanna. Johanne registra seus sentimentos e experiências em um diário de forma tão vívida que sua mãe e avó acreditam que o livro deve ser publicado. A trama se desdobra a partir das repercussões desse amor juvenil e da publicação do diário, levantando questões sobre a verdade, a memória, a arte, o abuso e a interpretação dos fatos por diferentes perspectivas.

O longa é bem sucedido principalmente por sua abordagem intrincada e sensível a um assunto volátil como o primeiro amor e o despertar sexual na adolescência. Ele explora como o mundo ao redor pode se tornar um “nevoeiro hormonal” enquanto a protagonista ganha clareza sobre si mesma.

A história é em grande parte contada através de flashbacks e relatos dos personagens, especialmente de Johanne através de seu diário. Isso permite que o filme explore as diferentes interpretações dos eventos e a linha tênue entre a realidade e a ficção.

As atuações, especialmente de Ella Øverbye como Johanne, Selome Emnetu como Johanna, e Ane Dahl Torp como Kristin (mãe de Johanne), são destacadas como fortes, com Ane Dahl Torp recebendo menções por sua performance.

Dreams levanta perguntas instigantes sobre a natureza da memória, da verdade e do impacto da arte. Discute se o que está nos livros é fato ou liberdade criativa e como um trauma pode dar vazão a um talento artístico.

O filme tem momentos de humor e um tom “tagarela e brincalhão”, lembrando filmes como “Fucking Åmål”. O diretor é conhecido por fazer “cartas de amor a Oslo, celebrando a conexão humana”.

O filme teve sua estreia internacional na competição principal do 75º Festival Internacional de Cinema de Berlim em fevereiro de 2025, onde ganhou o Urso de Ouro, o que gerou alguma surpresa devido à sua falta de “urgência política” em comparação com outros vencedores.

A segunda metade do filme pode ser um pouco desfocada, tentando explorar muitos temas, alguns superficialmente, e que ao final pode “amarrar as coisas de forma muito organizada”. Embora seja um filme “falado”, há quem observe que, em certos momentos, os personagens explicitamente transmitem a mensagem do filme, o que poderia ser desnecessário, já que o comportamento deles já deixaria claro.

Em resumo, Dreams é um drama reflexivo e emocionalmente inteligente que se aprofunda nos meandros do primeiro amor e na complexa relação entre a experiência pessoal e a narrativa artística, gerando debate sobre o que é verdade e o que é ficção na história de uma jovem e sua paixão.

ONDE ASSISTIR

AUTOR

Ricardo Feldmann Dotto

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