Eclipse, filme produzido, dirigido e estrelado por Djin Sganzerla, que também assina o roteiro juntamente com Vana Medeiros, é um thriller de suspense, drama e simbolismo, com estreia prevista para o dia 07 de maio, exclusivo nos cinemas.
A produção aborda temáticas como ancestralidade, violência contra a mulher, patriarcado e a força da empatia e da resistência. Além disso, aprofunda o universo tenebroso e criminoso da deep web.

Na trama, a protagonista Cleo (Djin Sganzerla) é uma astrônoma que trabalha em uma universidade pública. Grávida de seu primeiro filho aos 43 anos, vive um casamento aparentemente feliz, mas não esconde sua fragilidade e extrema sensibilidade.
Tudo passa a mudar quando Cleo reencontra sua meia irmã de origem indígena, interpretada pela atriz Lian Gaia, que, por meio de sua expressividade e intensidade, ganha força e destaque. Um dos méritos reside nas interpretações femininas, tanto das protagonistas quanto das coadjuvantes, em um elenco competente e estelar, com destaque para as atrizes Selma Egrei (Lucélia), Clarice Abujamra (Médica) e Gilda Nomacce (Gilda). A presença masculina também é ressaltada, com as atuações de Sérgio Guizé, como Tony Ribeiro, marido de Cleo, e Luís Melo (Seu Roberto), chefe de Nalu.
A primeira hora de exibição possui um ritmo lento, não propriamente cansativo, mas, conforme o ritmo se acelera, os personagens começam a ganhar espaço, presença e complexidade, por meio das conexões entre eles, sustentadas, em grande parte, pelo olhar e pela cumplicidade em cena. Por vezes, a direção acaba se perdendo na tentativa de dar continuidade à trama, diante de uma condução que demora a atingir o clímax e que, invariavelmente, pode acabar promovendo a perda da atenção do público.

O gênero de suspense, que vem se consolidando na filmografia brasileira, é garantido pela fotografia de André Guerreiro Lopes, com planos centrados nos olhares, capturando a atenção por meio das imagens e garantindo, assim, a imersão de quem assiste. A trilha sonora, assinada por Gregory Slivar, é singular, homenageando a grandiosa, potente e inesquecível Elza Soares.
A principal contribuição do filme é retratar as várias formas de violência contra a mulher, em diferentes contextos e condições socioeconômicas, problematizando o fato de que nenhuma de nós está incólume e protegida da fúria e da agressividade do machismo e do patriarcado, mazelas estruturais da nossa sociedade.
Ao final, a esperança e a resistência residem na força do encontro entre as mulheres, com aproximações improváveis, mediadas pela ciência e pela ancestralidade, potencializando, assim, recomeços e conexões entre o passado e o presente, em um processo no qual estar viva e livre somente terá sentido se todas nós estivermos juntas e fortes, reconhecendo nossas potencialidades e capacidades.







