Improvisação Perigosa parte de uma ideia absurda — e é exatamente isso que a torna divertida. Um grupo de atores de improviso, falidos e desiludidos, se vê contratado pela polícia de Londres para se infiltrar no submundo do crime. É o tipo de trama que beira o cartunesco, mas que funciona justamente por não se levar a sério demais. Com um elenco carismático e uma proposta inusitada, o filme entrega um bom equilíbrio entre comédia, ação e um certo charme desajeitado.
Bryce Dallas Howard vive Kat, uma atriz americana em decadência que agora dá aulas de improvisação em Londres. Seu semblante de frustração é constante — e compreensível — até que uma proposta inesperada chega pelas mãos de um detetive vivido por Sean Bean: ela e dois de seus alunos serão pagos para se infiltrar em uma gangue local. É o tipo de plano que jamais funcionaria na vida real, mas que no contexto do filme parece fazer algum sentido, o que já diz muito sobre o tom da história.

Ao lado de Kat estão Marlon (Orlando Bloom), um ator narcisista que ainda sonha com a fama apesar de viver de comerciais, e Hugh (Nick Mohammed), um tímido funcionário de TI que busca confiança nos exercícios de improviso. Os três formam um trio inusitado e completamente despreparado para a missão que lhes é dada — e é nessa falta de preparo que mora boa parte da graça de Improvisação Perigosa.
A direção de Tom Kingsley acerta ao tratar o absurdo com naturalidade. Ele permite que o humor surja das situações e das falhas dos personagens, em vez de tentar forçar piadas o tempo todo. O roteiro, assinado por Colin Trevorrow, Derek Connolly e a dupla britânica The Pin, brinca com clichês de filmes policiais e de ação, mas com um olhar afetuoso por seus personagens atrapalhados.
Nem todas as atuações funcionam com a mesma intensidade. Howard se entrega de corpo e alma, ainda que às vezes pareça mais perdida do que sua personagem. Bloom parece confortável no exagero cômico de Marlon, mas é Nick Mohammed quem rouba a cena, trazendo um humor mais sincero e despretensioso. As participações de Sean Bean e Paddy Considine ajudam a dar um verniz de seriedade à trama — que é, essencialmente, uma grande brincadeira.

O que torna Improvisação Perigosa agradável é sua disposição em rir de si mesmo. O filme sabe que seu enredo é ridículo e abraça isso com entusiasmo. Não tenta ser uma crítica social nem uma sátira política; é apenas uma comédia sobre gente comum tentando se passar por durona — e falhando com estilo. Há espaço para ação, algumas boas sacadas de roteiro e piadas que funcionam pela entrega dos atores.
No fim das contas, Improvisação Perigosa é um daqueles filmes que não mudam vidas, mas fazem rir. E, às vezes, isso já é mais do que suficiente. Ao misturar o mundo do teatro improvisado com o universo do crime organizado, a produção entrega um entretenimento leve, criativo e com um toque de absurdo que, curiosamente, faz todo o sentido.


