O novo Karatê Kid, é mais uma daquelas refilmagens que usam o nome de um clássico apenas como isca para atrair o público. A troca do karatê pelo kung fu já denuncia o quanto o título é enganoso — e talvez o maior erro do filme nem seja esse, mas a crença de que bastava atualizar a ambientação e escalar o filho de Will Smith para recriar a magia do original. O resultado é um produto inchado, tecnicamente polido, mas emocionalmente raso.
A trama segue a cartilha do filme de 1984, com pequenas mudanças geográficas e culturais. Mas onde Ralph Macchio e Pat Morita construíram uma relação com alma e carisma, Jaden Smith e Jackie Chan parecem presos em uma dinâmica forçada e pouco envolvente. O sr. Han tem até um bom momento dramático, mas é isolado, e não sustenta a conexão que deveria mover o filme. Já Dre é um protagonista carismático no início, mas que não evolui como deveria — e cuja trajetória emocional é entregue de forma didática, sem surpresas.

A longa duração se arrasta em meio a cenas contemplativas e excursões por cartões-postais da China, como se o filme quisesse ser também uma propaganda turística. A mudança de país poderia ter sido uma chance de explorar novos conflitos culturais ou reinventar a história com frescor. Em vez disso, temos uma sucessão de lições de kung fu que repetem, sem nuance, o discurso sobre equilíbrio e paz interior. Tudo soa mais decorado do que vivido.
A ação, embora bem coreografada, não empolga. A rivalidade com Cheng é genérica, e o vilão Master Li é tão superficial quanto um personagem de videogame. O embate entre filosofias de ensino é pintado em preto e branco, sem qualquer profundidade. Até a tradicional montagem de treinamento perde força, diluída entre cenas longas demais e uma direção que parece mais preocupada em embelezar do que em emocionar.
O maior problema deste Karatê Kid talvez seja sua falta de identidade. Tenta se vender como um recomeço, mas não tem coragem de romper de verdade com o passado. Recria cenas e símbolos do original como quem segue uma cartilha — a diferença é que agora Dre aprende kung fu tirando e vestindo uma jaqueta em vez de encerar carros. Um detalhe simbólico da superficialidade do projeto.

A refilmagem não oferece nada de novo à franquia, tampouco honra de fato o que veio antes. Pat Morita foi indicado ao Oscar por seu sr. Miyagi; Jackie Chan, embora tenha talento e presença cênica, não recebe o roteiro necessário para explorar essa faceta mais dramática. Jaden Smith, por sua vez, não entrega a vulnerabilidade que o papel exige. É uma encenação bonita, mas sem verdade.
No fim, Karatê Kid parece mais interessado em lançar uma marca renovada do que em contar uma boa história. A prova disso é que nem deu sequência a si mesmo: o verdadeiro resgate da franquia viria anos depois com a série Cobra Kai, que, ironicamente, encontrou frescor e relevância ao olhar para o passado com respeito — e não como uma vitrine. Esta refilmagem? Bonita por fora, vazia por dentro.





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