No Fim do Túnel

() ‧

"No Fim do Túnel" mantém a tensão em um nível de alta voltagem

Felipe Fornari

Rodrigo Grande, diretor de No Fim do Túnel, não se atém às fórmulas dos filmes de suspense para criar seu thriller. Na verdade, o longa argentino parece mais ter fobia às fórmulas banais do gênero.

Na trama, Joaquín (Leonardo Sbaraglia, de O Silêncio do Céu) é cadeirante e vive solitário em sua velha e escura casa. Por isso, acaba alugando um de seus quartos do andar de cima para a stripper Berta e sua filha, Betty. A presença delas alegra um pouco a casa e a vida de Joaquín. Mas o que ele não imagina é que, malandramente, tudo não passa de uma estratégia da moça e de seu namorado, o criminoso Galereto (Pablo Echarri, de Papéis ao Vento), para criar um túnel por baixo da casa e roubar um banco vizinho.

O cenário principal do filme de Rodrigo Grande é a casa de Joaquín. Ela se torna quase um personagem extra dentro da história e serve para mostrar que Joaquín é assombrado pela falta de sua mulher e é um personagem atormentado que poderia muito bem povoar a obra de Edgar Alan Poe.

Joaquín vai se envolvendo nos planos da gangue que planeja roubar o banco e à medida que isso acontece, literalmente, ele arrasta o espectador junto. Os subterrâneos opressivos do mausoléu em que o personagem transforma a casa fazem com que nos preocupemos com sua segurança.

A capacidade de Rodrigo Grande para manter a tensão (e a atenção) do espectador durante toda a projeção compensa alguns possíveis excessos que o filme poderia desenvolver. A um passo do improvável, ficamos torcendo para um ladrão que rouba ladrão… e com a expectativa, nem mesmo percebemos que roemos todas as unhas durante o processo.

ONDE ASSISTIR

OUTRAS CRÍTICAS