O Mal que Nos Habita

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"O Mal que Nos Habita": Uma jornada aterradora pelo horror cinematográfico

Ricardo Feldmann Dotto

Não me precipito em dizer que desde meados de 2014 para cá tem sido uma das melhores fases para fãs de filmes de terror.

O Mal que Nos Habita, dirigido pelo argentino Demián Rugna, é uma obra prima para fãs de terror e um clássico instantâneo do gênero, que no mesmo longa inclui body horror, terror psicológico, slasher, gore, folk horror, crianças assassinas, anti-Cristo, jump scares e claro, possessão, tudo com maestria.

Na trama, ambientada em uma vila remota da Argentina, dois irmãos encontram um cadáver mutilado perto de sua propriedade e se reúnem com os moradores locais para investigar o incidente. Logo, eles descobrem que os acontecimentos estranhos na região estão sendo causados por um espírito que entrou em um homem que estava à espera dos procedimentos necessários para livrar seu corpo de um demônio purulento, prestes a dar a luz ao mal que lhe carrega. Na tentativa de impedi-lo, as coisas logo saem do controle, dando início à uma onda de violência crescente e desenfreada, que se alastra pela cidade.

O diretor Demián Rugna cria uma atmosfera de tensão e total desconforto desde o início do filme, usando elementos como a escuridão, a solidão e a natureza selvagem para criar um senso de medo e incerteza. A produção também conta com algumas cenas de terror memoráveis e bizarras, que são capazes de assustar até mesmo os espectadores mais experientes. As cenas de possessão demoníaca são particularmente perturbadoras, e conseguem causar um impacto emocional significativo. Você mal acaba de se recuperar de um soco no estômago visual e já recebe outra porrada.

O elenco também é muito bom, com as performances de Ezequiel Rodriguez, Emilio Vodanovich e Silvina Sabater sendo particularmente ótimas. Os atores conseguem criar personagens realistas e identificáveis, que ajudam a tornar o filme mais real.

Demián Rugna também merece muito destaque. Ele consegue criar um filme que é visualmente impressionante e emocionalmente incômodo. A direção do filme é precisa e eficiente, e consegue transmitir o clima de suspense de forma sinistra e eficaz, tratando do tema de possessão demoníaca de uma forma muito original e inovadora, adicionando novas perspectivas e um novo ângulo para o subgênero, completamente diferente do que já vimos anteriormente. É uma das produções mais ousadas, intensas, viscerais e imprevisíveis dos últimos anos, não economizando nem mesmo crianças. O demônio é como uma doença que se espalha e atinge quem tem contato com ele. O mal é uma praga. E sente o cheiro do medo.

Com um tom insano, brutal, intransigente, assustador e totalmente maldoso, o filme não é para todos, mas imperdível para os amantes de uma obra bem feita. Quando o filme termina, você ainda fica com ele grudado na cabeça, pensando no que diabos acabou de ver…

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