É o Amor

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10.03.2016

É o Amor não é o filme francês que você espera. Ele não segue pelas vias comuns dos filmes do paí­s e força o espectador a se concentrar e abandonar seus pré-conceitos, de tal forma que é desconcertante e até mesmo irritante.
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Portanto, aqueles que conseguirem saborear o desafio proposto pelo diretor Paul Vecchiali, de Noites Brancas no Pí­er, não muito conhecido no Brasil, terão um vislumbre das incrí­veis complexidades de sua visão de mundo. Uma visão curiosa e impulsiva, proveniente de uma total liberdade criativa que só o cinema francês pode proporcionar.
O filme começa com Vecchiali falando diretamente com a câmera e introduzindo o tema principal do filme, que como o tí­tulo indica, é o amor… ou o medo de perdê-lo. Então nos encontramos com Odile (interpretada por Astrid Adverbe, que também trabalhou em Noites Brancas no Pí­er) que sente que seu marido a está traindo e então resolve se “Vingar” entregando-se a Daniel, um ator que vive com um soldado que foi forçado a se aposentar de sua carreira militar após ter sido baleado na perna.
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Um humor sofisticado é a marca principal de É o Amor e o espectador tem um papel ativo ao longo do filme. Vecchiali mostra o mesmo diálogo entre dois personagens apontando a câmera pela primeira vez para um, e depois para o outro, de modo que precisamos reconstituir o material final para que o adequemos ao nosso gosto. Além disso, o fim é sem conclusão (como só o cinema europeu sabe fazer), deixando-nos com a tarefa de escolher uma das muitas explicações apresentadas para encerrar a nossa relação com estes personagens.
Com a colaboração de Noël Simsolo – a quem o filme é dedicado – e com um roteiro escrito por Vecchiali, o filme já sai ganhando em seus créditos iniciais escritos em sangue. Suas cenas musicais são sensualmente libertadoras e as cores são usadas de forma simbólica e intensa.
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O filme deixa o espectador com uma certa lição de casa para ser feita: seja entender/escolher o final de seus personagens ou seja pesquisar um pouco mais da carreira de Vecchiali. A experiência pode se tornar desconcertante, graças a um filme moderno e, sem dúvida, corajosamente transgressivo.
Nota:

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AUTOR

Felipe Fornari

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