Rua do Medo: 1978 – Parte 2

(2021) ‧ 1h49

10.07.2021

“Rua do Medo: 1978 – Parte 2” desenterra traumas no meio da floresta com trilha de rock clássico e machadadas nas costas

É noite no acampamento Nightwing. As barracas já estão montadas, os monitores fingem que têm tudo sob controle, e os adolescentes fazem o que adolescentes fazem em filmes de terror: tomam decisões ruins. A brisa é leve, a trilha do Kansas toca baixinho ao fundo… até que o sangue começa a jorrar como se alguém tivesse virado a torneira do inferno.

Dando continuidade ao caos iniciado em 1994, a diretora Leigh Janiak volta com mais estilo, mais referências e um banho de sangue digno dos melhores slashers old school. Rua do Medo: 1978 é basicamente o filho bastardo de Sexta-Feira 13 com Carrie, a Estranha, só que criado numa colônia de férias amaldiçoada e com diálogos mais espirituosos.

Sadie Sink (a Max de Stranger Things, caso alguém tenha vivido numa caverna) entrega uma performance de dar orgulho a qualquer final girl clássica. E o visual? Um desfile de shorts curtos, meias listradas e topetes desalinhados, tudo embalado numa fotografia meio sépia, meio nostálgica, meio “vou morrer logo”.

Tem gore? Tem, e muito. Mas o que surpreende mesmo é o quanto o filme consegue equilibrar horror visceral com momentos genuinamente engraçados. As piadas entram com naturalidade, como se os roteiristas soubessem que, pra aguentar tanto desmembramento, o público precisa rir. E rir, a gente ri.

Mais sombrio que o anterior, mas igualmente divertido, Rua do Medo: 1978 mostra que o terror adolescente, quando bem feito, pode sim ser sangrento, barulhento e deliciosamente cínico.

ONDE ASSISTIR

AUTOR

Melissa Correa

OUTRAS CRÍTICAS

Shadow Force: Sentença de Morte

Shadow Force: Sentença de Morte

Shadow Force: Sentença de Morte parece ter saído diretamente de um algorítmo gerador de filmes de ação. Com uma premissa que mistura um romance proibido, espionagem internacional e uma família em fuga, o longa até promete tensão e adrenalina, mas entrega pouco mais...

A Sindicalista

A Sindicalista

Gente, esse filme me deu nos nervos. É, já vou começar assim, porque as 2h01 de "A Sindicalista", filme francês/alemão que está sendo lançado esta semana, me deixaram no meu limite. E não poderia ser diferente quando o filme joga na cara do espectador as relações de...

Softie

Softie

Softie, filme do diretor francês Samuel Theis, que já teve exibição por aqui no começo do ano, na edição do My French Film Festival, agora chega no circuito com um enredo cuidadoso sobre crescer e amadurecer diante da constatação de que ter um corpo é algo complexo...