Chove. A terra é lamacenta, os rostos são sérios e os chapéus têm abas largas o suficiente pra esconder segredos. Estamos em 1666, onde a superstição mata mais do que a lâmina. E no meio desse cenário puritano, uma jovem encara o peso de séculos de maldição com os olhos bem abertos e o coração acelerado. Medo? Só se for dos vivos.

A terceira parte da trilogia dirigida por Leigh Janiak troca o neon por tochas e entrega um capítulo final mais denso, com aquele cheirinho de A Bruxa misturado com Abracadabra em ácido. Sim, ainda tem piada. Sim, ainda tem gore. Mas agora o bicho pega de verdade — e não dá pra esconder atrás da ironia.
A sacada genial aqui é a reutilização do elenco dos filmes anteriores em novos papéis, como se estivéssemos presos num teatro amaldiçoado que não para de encenar a mesma tragédia. Kiana Madeira, mais uma vez, entrega uma atuação potente, e dessa vez carrega nas costas um peso maior: o de encerrar uma história que vinha se construindo com muito mais coesão do que a gente esperava de um “terror adolescente”.

Apesar da roupagem histórica, o filme mantém aquele tom jovem que tanto cativou nos capítulos anteriores. A trilha sonora dá lugar a um clima mais soturno, mas ainda assim impactante. E quando chega a hora de voltar pra 1994… segura firme, porque o desfecho não decepciona.
Rua do Medo: 1666 é o tipo de encerramento que não tenta reinventar a roda, mas faz ela girar com sangue, suor e feitiçaria. E no fim das contas, é isso que a gente quer: diversão com gosto de pecado.





Clique abaixo para ler nossas críticas:

