Em 1987, Superman IV: Em Busca da Paz chegou aos cinemas, marcando o retorno do herói após quatro anos. No entanto, ao contrário da expectativa positiva de ver Gene Hackman de volta como Lex Luthor e o triângulo amoroso entre Clark, Lois e Superman sendo retomado, o filme provou ser um dos pontos mais baixos da franquia. Embora Superman III já tivesse sido amplamente criticado, Superman IV conseguiu superar as falhas do anterior, entregando um produto que, retrospectivamente, compete com o antecessor pelo título de pior filme da série.
Um dos maiores problemas de Superman IV é o resultado de um corte abrupto na edição, que reduziu a duração planejada de 134 minutos para apenas 90 minutos. Com tanto material eliminado, o filme se torna desconexo e difícil de acompanhar em certos momentos. A direção de Sidney J. Furie não ajuda, oscilando de forma desajeitada entre aventura e comédia. A grandeza ingênua que fez do primeiro Superman um sucesso desaparece completamente aqui.
Lex Luthor retorna, mas está longe de ser o mesmo vilão amoral e perigoso dos dois primeiros filmes. Embora Gene Hackman se esforce para trazer carisma ao personagem, o roteiro o transforma em uma caricatura de si mesmo, mais inclinado à comédia do que ao perigo real. Sua obsessão em destruir Superman soa rasa, e a introdução de seu sobrinho Lenny (Jon Cryer), como um alívio cômico desnecessário, só contribui para enfraquecer ainda mais a trama.

O ponto central da história é a decisão de Superman de acabar com as armas nucleares do planeta, uma missão que ele acredita ser sua responsabilidade como um “filho adotivo” da Terra. Enquanto ele coleta mísseis para jogá-los no sol, Lex Luthor elabora um plano para criar o “Homem Nuclear”, usando o DNA de Superman. Esse novo vilão, embora concebido com potencial, é uma criação desajeitada e nunca se torna uma ameaça convincente.
No Planeta Diário, a trama paralela envolve a compra do jornal por David Warfield, um editor sensacionalista, e a promoção de sua filha, Lacy (Mariel Hemingway), como chefe de Perry White. Lacy se interessa romanticamente por Clark, criando uma situação de ciúmes com Lois Lane. Essa subtrama leva a uma sequência de comédia forçada com uma “dupla saída”, em que Clark e Superman precisam se revezar entre Lois e Lacy, algo que parece saído de uma sitcom de baixo orçamento.
O roteiro, escrito por Lawrence Konner e Mark Rosenthal, com uma contribuição de Christopher Reeve, tenta misturar elementos de quadrinhos com o realismo das tensões da Guerra Fria. Contudo, essa combinação nunca se materializa de forma satisfatória, e a resolução fácil do conflito soa forçada. Há momentos isolados de nostalgia, como a viagem ao redor do mundo em que Lois recupera suas memórias de Superman II, mas até essas cenas são prejudicadas por efeitos especiais medíocres.

A redução do orçamento para menos de US$ 20 milhões, cortesia dos produtores da Golan-Globus, é evidente em toda a produção. Os efeitos especiais, que eram inovadores em 1978, parecem datados e desleixados em Superman IV. Até mesmo os créditos de abertura parecem imitações baratas dos dois primeiros filmes. O único aspecto que se mantém intacto é a clássica trilha sonora de John Williams, mas, infelizmente, até isso é incapaz de salvar o filme.
Além dos problemas técnicos, os bastidores foram caóticos. Christopher Reeve, que também estava envolvido no desenvolvimento da história, estava claramente desmotivado, e sua química com Margot Kidder era quase inexistente. As tensões entre Reeve e o diretor Furie eram constantes, o que se refletiu na falta de energia do filme. Em comparação com a coesão vista nos dois primeiros filmes, Superman IV parece uma produção fragmentada e desorganizada.
No fim, Superman IV: Em Busca da Paz foi uma decepção para os fãs e um desastre crítico. Muitos preferem ignorar sua existência ao discutir a era de Christopher Reeve como o Homem de Aço, considerando que apenas os dois primeiros filmes merecem ser lembrados. O legado do personagem ficou manchado por quase 20 anos até que Superman voltasse às telonas. Se há algo a ser aprendido com Superman IV, é que nem mesmo o herói mais poderoso da Terra pode resistir a um roteiro fraco e uma produção de baixo orçamento.





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