The Acolyte

(2024) ‧ 0h40

17.07.2024

"The Acolyte": Uma nova esperança para a franquia Star Wars

O grand finale da temporada de Star Wars: The Acolyte respondeu várias questões, ao mesmo tempo em que deixou brechas para muitas aventuras. Após vários episódios centrados no relacionamento entre Mae e Osha, a série finalmente revelou quem é o novo aprendiz dos Sith. Ao chegar ao seu desfecho, por incrível que pareça, conseguiu trazer diversos acertos, ao menos para mostrar elementos que acertaram o ritmo da produção e cenas marcantes ao público.

A série se passa 100 anos antes de A Ameaça Fantasma, e conta a história da personagem Mae (Amandla Stenberg), além de apresentar novos Jedis que prometem conquistar o público.

The Acolyte começou de uma maneira bem morna. Os primeiros quatro episódios são bons, mas nada espetacular pra quem assiste pela primeira vez. Já nos quatro episódios finais fica perceptível a necessidade de certas coisas que acontecem no início e a maneira genial com que tudo foi estabelecido e fez a história tomar forma.

A trama começa com um conflito entre os personagens após um caso de assassinato misterioso, então os Jedis são enviados para investigar o que está acontecendo. Durante a história, a confusão gerada vai se desenrolando sem surpresas. O plot é revelado sem nenhuma dificuldade, gerando no espectador uma falta de entusiasmo. Porém, ao mesmo tempo, gera uma sensação de interesse em descobrir o que irá acontecer a seguir. A série habilmente mistura elementos de mistério, intriga, política e aventura, proporcionando uma experiência nova para os fãs antigos e novos.

Visualmente, The Acolyte é um banquete para os olhos. A cinematografia é deslumbrante, com efeitos especiais de alta qualidade que dão vida a mundos alienígenas, cenas de combate épicas e paisagens deslumbrantes. A direção de arte é meticulosa, capturando a essência do universo Star Wars enquanto adiciona novos elementos e estilos visuais que se destacam.

A trilha sonora é outro ponto alto, complementando perfeitamente as cenas e intensificando as emoções em cada momento crucial. A combinação de temas clássicos com novas composições musicais enriquece a experiência auditiva e reforça a atmosfera única da série.

As atuações são muito boas, com um elenco talentoso que consegue transmitir emoções e criar conexões genuínas com o público. As protagonistas, em particular, são cativantes, mostrando duas jornadas de crescimento e autodescoberta que ressoam profundamente. Os personagens são complexos e bem desenvolvidos, cada um trazendo suas próprias motivações e conflitos internos, o que adiciona profundidade à história. Entre esses, destacam-se os personagens Yord (Charlie Barnett) e Sol (Lee Jung-jae), que são os Jedis protagonistas da série; além de Jecki (Dafne Keen) uma Padawan calma e simpática.

Ao mesmo tempo, a produção confirmou teorias. Embora ela tenha feito isso de forma discreta, a cronologia oficial da franquia fornece maiores detalhes sobre a figura misteriosa introduzida no oitavo capítulo e dá algumas pistas do caminho que novas temporadas podem seguir.

A revelação do verdadeiro Mestre Sith de Star Wars: The Acolyte acontece no momento em que Qimir (Manny Jacinto) e Osha (Amadla Stenberg) deixam um planeta remoto rumo a Brendok. No momento em que eles embarcam em uma nave, podemos vê-los sendo observados por uma figura misteriosa que se esconde nas sombras de uma caverna.

O confronto entre Qimir e Sol foi algo espetacular de ser visto, com algo digno de figurar entre os melhores confrontos de sabre de luz da franquia. Ver a verdade sobre o Sith ser revelada também conecta os pontos e deixa as coisas ainda mais intrigantes para uma possível segunda temporada. A coreografia das cenas de ação foram muito bem trabalhadas, as referências clássicas à Star Wars despertam uma emoção em todos os fãs, tanto a trilha sonora quanto às citações.

O desfecho em si só auxilia a colocar isto em maior evidência, mostrando que os Jedi não apenas erraram durante o desenvolvimento da trama, como continuam cometendo erros tentando se encobrir. Qualquer paralelo religioso que exista, talvez não seja uma mera coincidência. Porém, é interessante como a sinalização de virtudes passa tão longe de suas ações reais.

Além disso, o oitavo e último episódio de The Acolyte também trouxe diversos outros momentos marcantes, como o fortalecimento do Lado Sombrio da Força, todo o ciclo de Mae e até mesmo a presença do Senado entrando em conflito com o Conselho Jedi.

Ainda que tenham revelado bastante coisas, como quem está por trás da trajetória de Qimir, as reais intenções de Vernestra e até mesmo a descoberta de Asha sobre as ações de Sol em Brendok, faltaram algumas explicações para alguns conceitos que trouxeram durante os episódios anteriores.

Em suma, The Acolyte é uma boa adição ao cânone de Star Wars, oferecendo uma narrativa envolvente, personagens memoráveis e uma produção de altíssima qualidade. É uma série que não apenas entretém, mas também expande os horizontes do universo da franquia, deixando os espectadores ansiosos por mais. Com coreografias de luta bem produzidas, diálogos consistentes e alguns indícios do que veremos no futuro, The Acolyte encerra de forma promissora e realmente entrega tudo o que você esperaria ver da série, por mais que muitos não estavam esperando nada.

The Acolyte também evidencia novas possibilidades criativas na franquia. Esta série é uma opção para novos fãs, com uma trama envolvente e produção criativa. Os personagens, apesar de não evidenciarem suas motivações ainda, carregam a cada momento o significado de ser um Jedi e as implicações da Ordem em seus sentimentos. A série consegue abordar muito bem a maneira que o lado sombrio da força “seduz” as pessoas e também mostra que os jedis não são perfeitos. Apesar de algumas coisas que podem irritar os fãs mais conservadores, definitivamente não é uma série que merece ser um fracasso, mas sim, uma nova esperança!

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AUTOR

Ricardo Feldmann Dotto

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