Venom

(2018) ‧ 1h52

04.10.2018

"Venom" nunca mostra porque o personagem deveria ser a atração principal de seu próprio filme

Venom é um herói ou um vilão? Nenhum? Ambos? Se você vasculhar o catálogo anterior da Marvel Comics, onde o “simbionte” foi apresentado em The Amazing Spider-Man #300, ele claramente está tramando algo ruim – pelo menos no que diz respeito a Peter Parker. Mas na nova história de origem cinematográfica confusa do diretor de Zombieland, Ruben Fleischer, ele é retratado como um mocinho torturado, vítima de um surto no estilo Jekyll/Hyde.

Interpretado por Tom Hardy, com um sotaque não muito convincente e uma arrogância irrequieta, Venom parece um personagem de segunda linha da Marvel prematuramente convocado para a linha de frente. Os aficionados de quadrinhos serão atendidos, é claro, mas será que mais alguém se importará com essa adaptação?

Hardy é mais conhecido por ter interpretado o Bane em Batman: O Cavaleiro das Trevas Ressurge, mesmo por trás de uma máscara sufocante, e por ser o segundo personagem mais interessantes de Mad Max: Estrada da Fúria, embora tenha interpretado o personagem-título (culpa de Charlize Theron e sua Furiosa). Mas depois de assistir sua performance aqui, eu ainda não consigo dizer se ele é bom demais para um filme como este, ou se talvez o tenhamos superestimado o tempo todo.

Antes de Hardy se fundir com Venom (em uma sequência de metamorfose digna dos filmes de David Cronenberg), ele é Eddie Brock – um repórter investigativo que sai correndo de uma matéria para a próxima em uma motocicleta vestindo uma jaqueta de couro. Ele é uma espécie de cruzamento entre um jovem Marlon Brando e um repórter invasivo que passa o tempo todo com uma câmera e uma enxurrada de perguntas provocantes. É um milagre que sua namorada (interpretada por Michelle Williams, de O Rei do Show, em um papel nada inspirado) não tenha percebido o quão idiota ele é.

Venom não é um desastre, mas também não é excelente. É quase medíocre e, como resultado, esquecível. Ele simplesmente fica lá, deixando você paralisado, sem saber se quer ser um filme de história em quadrinhos ou colocar toda a coisa de lado e ser apenas mais um filme de ação sem graça. Nunca passa de tiro, porrada e bomba – algo que nunca pensei que diria sobre um filme estrelado por três atores ótimos como Hardy, Ahmed e Williams.

Visualmente, que é a única coisa que realmente funciona, Venom tem uma aura estilosa e sombria no jeito Nolan de ser. Mas Venom, o personagem, nunca entra em foco até os últimos cinco minutos, quando finalmente começa a ficar interessante, mas aí o filme acaba. Até então, ele é apenas mais um violãozinho secundário da Marvel que faz cara feia e rosna, e nunca nos mostra por que ele deveria ser a atração principal de seu próprio filme.

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AUTOR

Felipe Fornari

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