Vida

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20.04.2017

"Vida" tem personagens inteligentes tomando decisões idiotas no espaço

Alguém sabe o motivo pelo qual toda vez que personagens de ficção científica descobrem evidências de vida extraterrestre eles são sempre surpreendidos por novas formas criativas de morrer? Vida não é uma exceção, embora demonstre certa inteligência em seus personagens, o mesmo não pode ser dito de suas decisões.

Difícil ignorar o péssimo final, ainda assim Vida é muito melhor do que os trailers fizeram parecer, mas não chega perto de Passageiros, por exemplo. Parece funcionar como um prato de entrada para Alien: Covenant.

No filme, seis astronautas de diferentes nacionalidades estão em uma estação espacial, cujo objetivo maior é estudar amostras coletadas no solo de Marte por um satélite. Dentre elas está um ser unicelular, despertado por Hugh Derry (Ariyon Bakare) através dos equipamentos da própria estação espacial. Tal descoberta é intensamente celebrada por ser a primeira forma de vida encontrada fora da Terra, sendo que um concurso mundial elege seu nome: Calvin. Só que, surpreendentemente, este ser se desenvolve de forma bastante rápida, ganhando novas células e uma capacidade inimaginável.

A princípio, o ser alienígena parece ser uma inócua e inerte forma de vida unicelular, visível apenas sob um microscópio de alta potência. Mas quando o cientista da estação alimenta o organismo, ele rapidamente se multiplica exibindo características como se cada célula tivesse propriedades musculares, neurais e fotorreceptoras, sugerindo o potencial de um indivíduo incrivelmente forte e de rápida adaptação.

É claro que não demora muito para que Calvin se vire contra a tripulação e é aí que o filme abraça seus esperados clichês com personagens inteligentes tomando decisões idiotas, afinal, Vida não é um filme filosófico como Gravidade ou Interestelar.

Como entretenimento, Vida funciona perfeitamente. Bons efeitos, atuações envolventes e uma trilha sonora incrível. O filme é ótimo quando inteligente, mas a burrice de seus personagens é que torna tudo ainda mais divertido – um paradoxo que o filme usa com orgulho, mesmo que isso signifique a extinção da raça humana.

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AUTOR

Felipe Fornari

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