Harry Potter e a Ordem da Fênix

(2005) ‧ 2h18

11.07.2007

“Harry Potter e a Ordem da Fênix”: O início do fim

Com Harry Potter e a Ordem da Fênix, a saga cinematográfica do jovem bruxo atinge um novo patamar. Este quinto filme não só entrega uma aventura bem estruturada, mas também começa a moldar o épico confronto entre o bem e o mal que se aproxima. Desde o primeiro filme, vimos a série evoluir em tom e maturidade, e agora, sob a direção de David Yates, entramos em um território ainda mais sombrio e complexo.

Este é o primeiro filme da série que não consegue se sustentar por conta própria. Com tantas referências aos eventos anteriores e personagens que retornam, é fácil para um espectador casual se sentir perdido. No entanto, isso é um bom sinal, pois significa que a história já ultrapassou a fase de introdução e está mergulhando no coração da batalha entre Harry Potter (Daniel Radcliffe) e Lord Voldemort (Ralph Fiennes). O sentimento de que algo grandioso e terrível está prestes a acontecer permeia todo o filme.

A adaptação de A Ordem da Fênix ficou a cargo de Michael Goldenberg, substituindo o veterano roteirista Steve Kloves. O resultado é uma narrativa enxuta que, em pouco mais de duas horas, captura os principais pontos do livro sem se perder em subtramas. Claro, muito material foi deixado de fora, mas os fãs do livro encontrarão uma adaptação fiel, e aqueles que acompanham a série apenas pelos filmes não sentirão a necessidade de ler o livro para entender a história.

David Yates, em sua estreia na franquia, traz uma visão de Hogwarts que se assemelha à de Mike Newell em O Cálice de Fogo. O mundo mágico perdeu muito do seu brilho encantador e agora é apresentado como um lugar sombrio e ameaçador. A magia, que antes era um elemento de maravilha, agora assume um tom perigoso e assustador, refletindo o estado de alerta constante dos personagens.

Em A Ordem da Fênix, as linhas de batalha começam a se formar claramente. De um lado, temos Voldemort e seus Comensais da Morte; do outro, Harry e seus amigos. No entanto, Harry também enfrenta a oposição daqueles que não acreditam em sua palavra sobre o retorno do Lorde das Trevas. A chegada de Dolores Umbridge (Imelda Staunton) em Hogwarts, enviada pelo Ministério da Magia, adiciona um novo nível de tensão, pois ela busca desmantelar qualquer resistência interna e neutralizar Harry e seus aliados.

O filme também aprofunda o desenvolvimento dos personagens. As relações entre Harry, Ron (Rupert Grint) e Hermione (Emma Watson) evoluíram ao longo dos anos, e agora, como adolescentes, eles lidam com emoções mais complexas, como ciúmes, raiva e atração. Harry, em particular, experimenta seu primeiro beijo com Cho Chang (Katie Leung), um momento que reflete as mudanças que estão ocorrendo tanto no mundo ao seu redor quanto dentro de si.

As atuações continuam a amadurecer junto com os personagens. Daniel Radcliffe e Rupert Grint demonstram um crescimento impressionante em suas habilidades de atuação, enquanto Emma Watson mantém sua forte presença como Hermione. Entre os adultos, Imelda Staunton rouba a cena como Dolores Umbridge, entregando uma performance assustadoramente eficaz, onde um simples sorriso pode ser mais mortal do que um feitiço.

Com A Ordem da Fênix, a série Harry Potter continua a melhorar. O medo inicial dos cineastas de desviar muito dos livros diminuiu, permitindo que os filmes adquirissem uma identidade própria, sem perder a conexão com o material original de J.K. Rowling. Embora este filme não tenha o estilo visual desenvolto de O Prisioneiro de Azkaban, de Alfonso Cuarón, ele oferece mais substância. O ritmo é fluido, e a progressão dos eventos mantém o espectador engajado.

Quando Harry Potter e a Pedra Filosofal estreou em 2001, parecia uma versão infantil de O Senhor dos Aneis. Agora, seis anos depois, com A Ordem da Fênix, a série Harry Potter realmente encontrou seu caminho. Esses filmes não são mais apenas contos de magia e aventura, mas histórias sombrias que exploram temas de poder, corrupção e sacrifício. Este é o melhor filme da franquia até agora, e um dos poucos motivos para sair de casa e ir ao cinema na temporada de 2007.

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AUTOR

Felipe Fornari

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