Delírio

(2024) ‧ 1h14

22.10.2025

Habitantes dos cantos escuros da internet, sejam bem-vindos a um clima de tensão e suspense inesgotável

“Masha e sua mãe Elisa se mudam para a casa de sua avó que possui demência. Em meio a dúvidas se seu pai realmente está morto, sua mãe começa a sentir uma presença ameaçadora, e passa a isolá-la do mundo exterior”.

Escrito e dirigido por Alexandra Latishev Salazar, e estrelado por Helena Calderón, Liliana Biamonte e Ana Ulloa, Delírio (Chile/Costa Rica) é um drama independente envolvido por uma densa camada de alegorias e suspense.

Muitos de nós já ficamos com medo ao visitarmos nossos avós no interior, aquele misto de solidão e companhia indesejada, que só aquele contexto de ficarmos “presos” em um local isolado é capaz de proporcionar. Agora adicione isso a um pai supostamente falecido que ninguém quer falar sobre, uma avó com demência, e uma mãe que – talvez em luto – está sempre à flor da pele. Perguntas sem resposta, folclore, a dor da perda, o luto, a solidão, a incerteza, os resquícios do passado, o isolamento, tudo isso e ainda mais, velados em figuras de linguagem e alegorias em um suspense dramático, que fica sempre trazendo uma maior antecipação, o desconhecido que nunca chega.

Em Delírio, a tensão nunca para de ser construída, o espectador nunca sabe o próximo passo, e, da mesma maneira que o filme apenas começa, ele apenas continua, e apenas termina, como poeira ao vento, como um reles cotidiano.

Para tirar uma conclusão é necessário viver essa história, que com toda a sua fluidez, não parece saber o que quer, a quais subgêneros pertence, nem mesmo para onde vai, buscando apenas mostrar e fazer refletir.

Apesar de eu ter chegado a certo entendimento ao final da película, as incertezas que ela constantemente proporciona, geram insegurança, e isso me tirou um pouco da imersão algumas vezes, assim como a constante construção do suspense e da antecipação.

A obra toda é um delírio? Cada personagem é a mesma representação arquetípica, mas, em estágios diferentes? Assista e descubra

Nota 4 de 5 pela capacidade reflexiva.

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AUTOR

Pedro Fonseca

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