Animais Fantásticos: Os Segredos de Dumbledore

(2022) ‧ 2h22

14.04.2022

“Animais Fantásticos: Os Segredos de Dumbledore”: Uma saga em declínio

Animais Fantásticos: Os Segredos de Dumbledore traz de volta o universo mágico de J.K. Rowling, mas, infelizmente, a sensação de cansaço permeia toda a produção. O filme parece mais uma obrigação do que uma nova adição empolgante ao mundo cinematográfico dos bruxos. Com poucas surpresas e uma trama que tenta agradar aos fãs mais dedicados, o filme oferece muito pouco para o público casual. A história de Albus Dumbledore (Jude Law) ganha profundidade, mas, para aqueles que não estão interessados em sua sexualidade ou nas intricadas escolhas dos líderes bruxos, o enredo pode parecer vazio.

Quando a Warner Bros. decidiu prolongar o sucesso de Harry Potter com uma série de prequels, e Animais Fantásticos nasceu. Inicialmente planejada como uma trilogia, a série se expandiu para cinco filmes após o sucesso financeiro do primeiro. Porém, com o lançamento de Os Crimes de Grindelwald, já se via um cansaço nas bilheterias, e Os Segredos de Dumbledore não parece capaz de reverter essa tendência.

A história central gira em torno das complexidades políticas e manobras de Gellert Grindelwald (Mads Mikkelsen), que tenta manipular a eleição mundial dos bruxos para se tornar seu líder. Seu objetivo final é iniciar uma guerra com os não-mágicos, que ele acredita não terem chance de vencer. Para enfrentá-lo, Albus Dumbledore convoca uma equipe de aliados, incluindo o magizoologista Newt Scamander (Eddie Redmayne), seu irmão Theseus (Callum Turner), e outros personagens, como Jacob Kowalski (Dan Fogler) e Lally Hicks (Jessica Williams). No entanto, essa reunião de personagens não consegue criar o impacto necessário para envolver completamente o público.

Ao invés de se concentrar na história principal, Os Segredos de Dumbledore se perde em desvios desnecessários, como o aprisionamento de Theseus e sua subsequente libertação. Essas sequências de ação, apesar de visualmente impressionantes, contribuem pouco para o enredo e alongam o filme para 142 minutos, prejudicando o ritmo e tornando-o, em alguns momentos, tedioso. Quando o filme finalmente chega ao seu desfecho, Grindelwald é derrotado, mas o resultado final é anticlimático e a conclusão não traz a satisfação esperada.

Um dos maiores erros do filme foi relegar Tina Goldstein (Katherine Waterston) a um papel quase inexistente. Sua química com Newt Scamander foi um dos pontos altos dos primeiros filmes, e sua ausência é sentida intensamente. Embora a série tenha começado com Newt como protagonista, ele continua a perder relevância, especialmente sem Tina ao seu lado. O título já sugere que Dumbledore agora é o centro das atenções, o que reduz Newt a um papel secundário ainda mais apagado.

Mads Mikkelsen traz uma melhoria em relação à versão de Grindelwald de Johnny Depp, mas ainda fica atrás da interpretação de Colin Farrell no primeiro filme. A melhor cena do filme é o encontro inicial entre Mikkelsen e Jude Law, onde emoções reprimidas e arrependimentos criam um momento poderoso e significativo, destacando o talento dos dois atores.

Os fãs mais dedicados de Harry Potter ainda encontrarão algo para apreciar em Os Segredos de Dumbledore, especialmente nos aspectos estilísticos e técnicos, que mantêm a consistência dos filmes anteriores, todos dirigidos por David Yates desde Harry Potter e a Ordem da Fênix. No entanto, não há nada nesta terceira parte de Animais Fantásticos que vá expandir o público da franquia. O ritmo arrastado e a falta de inovação podem até afastar parte do público fiel. Talvez seja hora de nos despedirmos de Dumbledore, seus aliados e inimigos, e permitir que o universo mágico descanse.

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AUTOR

Felipe Fornari

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