Pânico 3

(2000) ‧ 1h56

07.07.2000

“Pânico 3”: O último suspiro de um grito

Pânico 3 chega como a suposta conclusão de uma trilogia que começou reinventando o terror nos anos 1990, mas tropeça feio ao tentar encerrar sua própria história. O frescor e a ousadia do original foram substituídos por uma repetição desanimada de fórmulas já desgastadas. O que antes era um comentário afiado sobre os clichês do gênero, agora parece vítima deles. Com um roteiro previsível e energia em baixa, o filme entrega uma experiência morna, longe do que se esperava para o encerramento de uma saga tão influente.

A trama nos leva a Hollywood, onde o terceiro filme da franquia fictícia Stab está sendo rodado. Lá, membros do elenco começam a morrer na mesma ordem que seus personagens no roteiro — e as pistas deixadas pelo assassino levam de volta ao passado de Sidney Prescott. Embora a sinopse prometa que “tudo pode acontecer”, o que se vê na tela é o oposto: mais do mesmo, só que com menos impacto. A tentativa de dar profundidade ao passado da protagonista não é suficiente para sustentar o interesse ao longo de quase duas horas.

Sidney (Neve Campbell), aliás, passa boa parte do filme à margem da ação, o que é um problema quando ela é o fio condutor da franquia. O foco inicial em Gale (Courteney Cox) e Dewey (David Arquette) até tenta trazer algo novo, mas logo se rende à dinâmica de sempre. Quando Sidney finalmente volta à cena, o impacto é diluído, e o roteiro parece não saber muito bem o que fazer com ela. O peso dramático que antes existia em sua jornada se perde em meio a sustos previsíveis e reviravoltas forçadas.

Ainda assim, Pânico 3 tem seus momentos. A fita deixada por Randy (Jamie Kennedy) com as “regras de uma trilogia” é um dos raros lampejos do humor metalinguístico que definiu os filmes anteriores. O breve encontro com Jay e Silent Bob também rende um sorriso — mais pela surpresa do que pela piada em si. E a aparição de Carrie Fisher como uma secretária amargurada dá um toque de sarcasmo bem-vindo. Porém, são picos isolados em um mar de tédio e repetição.

No quesito terror, o filme decepciona. As mortes são mecânicas e as tentativas de susto seguem um padrão tão previsível que perdem o efeito. O senso de ameaça é fraco, e o assassino — mesmo com todo o mistério em torno de sua identidade — não consegue gerar o mesmo impacto dos anteriores. A revelação final soa forçada, exigindo uma suspensão de descrença que poucos espectadores estarão dispostos a conceder. Em vez de surpreender, ela apenas confirma o esgotamento criativo da fórmula.

Os protagonistas, antes cheios de nuances e vulnerabilidades, viraram caricaturas de si mesmos. A dinâmica entre eles parece mais automática do que orgânica, e mesmo os arcos emocionais são mal desenvolvidos. O passado de Sidney é usado como motor da trama, mas explorado de forma rasa. A sensação é de que o filme está em piloto automático, apenas cumprindo tabela para encerrar uma trilogia sem arriscar demais — o que, ironicamente, é exatamente o tipo de produção que o primeiro Pânico zombava.

No fim das contas, Pânico 3 é um capítulo final sem coragem de ser final. Falta-lhe o frescor do primeiro, a tensão do segundo e qualquer traço de inovação. Em vez de encerrar a franquia com estilo, opta pelo caminho mais fácil — e mais esquecível. Para uma saga que começou subvertendo expectativas, terminar de forma tão convencional é, no mínimo, frustrante. O grito que antes ecoava no gênero agora soa abafado e sem força.

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AUTOR

Felipe Fornari

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