“Um casal de irmãos, após a morte de seu pai, são encaminhados para a casa de uma misteriosa e estranha mulher, que recentemente também perdeu alguém de sua família”.
Escrito por Danny Philippou e Bill Hinzman, dirigido por Danny e Michael Philippou, fotografia de Aaron McLisky, e estrelado por Sally Hawkins, Billy Barratt, Sora Wong, e Jonah Wren Phillips, Faça Ela Voltar dá um passo a mais em relação a obra antecessora dos irmãos Philippou, sendo mais complexo, pesado e visceral que Fale Comigo.
Psicológico e mental são os horrores principais desta obra, que segue a cartilha de filmes como Hereditário (também da A24), mergulhando – por vezes de maneira profunda, às vezes rasa – em temas pontuais e importantes, como o luto, traumas psicológicos, manipulação, jogos mentais, e ambientes domésticos assim como dinâmicas familiares disfuncionais e perigosas. E isso tudo produz uma atmosfera bastante pesada e por vezes sufocante, que nos envolve emocionalmente com os personagens, situações e com a história.

Outro ponto abordado, – que eu acho bastante interessante – é o do impedimento físico, que em Faça Ela Voltar acontece através da deficiência visual da personagem Piper, a irmã de Andy, que mesmo sendo muito capaz e funcional apesar de sua condição, tem a adição de ser uma menina mais nova e inocente, e estar passando por um processo de luto e perda, o que ajuda a encorpar alguns momentos de tensão.
O mix de cenário, direção e fotografia certamente “roubam a cena”, pegando tudo que o filme tem de bom em termos de história e atuação e pintou um belo quadro em movimento.
“Grapefruit!”
No entanto, ainda que mostrar ou revelar algo através de ações seja melhor do que explicar com diálogos, existem problemas na narrativa, como furos relacionados a transição temporal, background e motivações de personagens, além de ter certas informações que simplesmente ficam mal contadas.
Se pudermos dividir cada personagem em uma trilha separada, tal qual em um programa de áudio e/ou vídeo, certamente a trilha de Andy teria sido mal editada. Em busca do mistério e do suspense, prejudicaram informações importantes, desenvolvimento do personagem e a dinâmica da história, o que acaba por vezes tirando o espectador da realidade do filme. Em retrospecto, parece que o filme trata o espectador como se ele já tivesse que saber algumas informações, justamente porque foram mal construídas ao longo da narrativa.
O sobrenatural fica numa camada menos elaborada do filme, sendo essencial, porém, distante. E o “começo, meio e fim” dessa trilha, novamente, picotada e mal contada.

Ainda que em Faça Ela Voltar existam acertos que façam a produção se superar, em muitos momentos ela esbarra em “equívocos”, falhando em ser mais do que suporta ser.
De maneira geral o filme é bom, se encaixando naquela nomenclatura de terror elevado, que envolve mais drama do que elementos convencionais do terror, porém, ainda assim nos agraciando com momentos satisfatórios de suspense, psicológicos, e com um belo toque de efeitos práticos.
Se formos analisar como sendo um filme pequeno e de baixo orçamento, Faça Ela Voltar realmente supera as expectativas, no entanto, se acreditarmos no “marketing” de “Melhor filme do ano”, é bem possível que as pessoas se decepcionem.
Pesando bem os erros e acertos, acredito que uma nota 3 de 5 está de bom tamanho.








