Hellboy

(2019) ‧ 2h

23.05.2019

Um reboot problemático para Hellboy

Quando os produtores de Hellboy decidiram por um reboot em vez de um terceiro filme dirigido por Guillermo del Toro, muitos fãs ficaram desapontados. A escolha de Neil Marshall para dirigir esta nova versão em vez do diretor visionário dos dois primeiros filmes não foi bem recebida. Marshall, apesar de sua sólida experiência na televisão, não conseguiu trazer a mesma magia para o cinema. O resultado é um filme que mais parece um impostor barato do que uma continuação digna para a franquia.

Este reboot apresenta David Harbour no papel principal, substituindo Ron Perlman, enquanto Ian McShane assume o papel de Trevor Bruttenholm, o pai de Hellboy, anteriormente interpretado por John Hurt. Além disso, personagens marcantes como Abe Sapien e Liz Sherman foram substituídos por Alice Monaghan e o Major Ben Daimio, que não conseguem preencher o vazio deixado pelos membros originais do elenco. Harbour, embora talentoso, não consegue capturar a essência de Hellboy da mesma forma que Perlman, resultando em uma versão pálida e menos carismática do personagem.

O filme começa no meio de uma aventura, criando uma sensação de desorientação para o espectador. A narrativa é entrecortada por flashbacks que tentam explicar a história, mas acabam prejudicando o ritmo e dificultando o envolvimento com a trama. O enredo principal, que consiste principalmente em Hellboy enfrentando monstros gerados por computação gráfica, carece de profundidade e desenvolvimento, lembrando mais uma versão de Transformers, onde vemos seres humanos gerados por computador sendo despedaçados em cenas que deveriam ser grotescas, mas são apenas mal feitas.

A vilã do filme é Nimue, a Rainha Sangrenta, interpretada por Milla Jovovich. Sua história envolve um passado com o Rei Arthur e sua ressurreição por um javali gigante que deseja vingança contra Hellboy. A tentativa de criar uma narrativa coesa é falha, e o filme acaba se perdendo em reviravoltas absurdas, como a aparição de Merlin, que mais parece uma piada saída de um esquete de comédia do Monty Python. A lógica da trama é tão absurda que desafia qualquer tentativa de levá-la a sério.

Em minha crítica ao Hellboy de 2004, observei que “coesão e enredo não estão entre os pontos fortes de Hellboy“. Infelizmente, essa nova versão não apenas repete os mesmos erros, mas os amplifica. A tentativa de modernizar o humor autodepreciativo de Hellboy, que antes era inovador, agora parece preguiçosa e ultrapassada, especialmente quando comparada ao sucesso de filmes como Deadpool, que elevaram o gênero de super-heróis cômicos a um novo patamar.

O filme é uma repetição desnecessária sem nada a acrescentar além da presença marcante de McShane. Compará-lo aos filmes de Del Toro é como comparar uma produção da Broadway a uma peça de teatro escolar. Minhas lembranças do primeiro Hellboy são de uma aventura divertida e fantástica, enquanto o pensamento futuro desta versão de 2019 provavelmente se deteriorará; é cansativo de assistir e não é algo que eu queira revisitar em um futuro próximo.

A nova versão tenta capturar a essência do original, mas falha em quase todos os aspectos. Desde a escolha do elenco até a execução da trama e seus efeitos especiais, tudo parece apressado e sem paixão. Enquanto o original era um filme que se destacava por sua originalidade e charme, este reboot parece mais uma tentativa desesperada de capitalizar em uma franquia estabelecida.

Em suma, este reboot é uma decepção para todos que esperavam um retorno triunfante do anti-herói vermelho. A falta de direção clara e uma história coesa prejudicam o potencial do filme, que acaba sendo mais uma nota de rodapé esquecível em uma franquia que outrora foi bastante promissora.

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AUTOR

Felipe Fornari

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