John Wick 3: Parabellum começa exatamente onde o segundo filme parou — e esse início eletrizante é, sem dúvida, o ponto alto da produção. A contagem regressiva para a caçada global a John Wick injeta adrenalina imediata, com cenas de ação inventivas que usam tudo como arma, até livros de biblioteca. A precisão da coreografia e o senso de humor ácido continuam afiados, e por um tempo, parece que a franquia vai manter o mesmo fôlego implacável dos capítulos anteriores.
No entanto, o ritmo alucinante começa a tropeçar quando o filme decide ampliar seu escopo narrativo. A ida a Casablanca, por exemplo, soa como uma promessa de expansão do universo da série, mas acaba sendo apenas um desvio estético pouco proveitoso. É bonito, é exótico, mas é também desnecessário — e alonga demais um filme que já beira as duas horas e meia.

Ainda que as cenas de ação continuem sendo o grande atrativo da franquia, há uma sensação de repetição que começa a pesar. A estrutura se mantém praticamente inalterada: John chega a um novo local, enfrenta dezenas de inimigos, e segue para o próximo. Mesmo a luta final, visualmente criativa ao substituir os espelhos do segundo filme por superfícies de vidro, parece uma reciclagem estilosa de ideias anteriores.
Outro problema é a evolução (ou falta dela) do personagem-título. John Wick parece mais robótico do que nunca — sempre impenetrável, sempre imbatível, mas cada vez menos humano. Seu luto, que impulsionava a narrativa no primeiro filme, vai sendo substituído por uma obstinação quase mecânica. A ausência de seu fiel cachorro reforça esse esvaziamento emocional.
O elenco de apoio ainda brilha, especialmente com o retorno de Ian McShane, Lance Reddick e Laurence Fishburne, que trazem uma teatralidade deliciosa aos seus personagens. As novas adições, como Asia Kate Dillon e Mark Dacascos, ajudam a aprofundar a mitologia da Alta Cúpula. Já Halle Berry, mesmo com destaque no marketing, participa apenas de uma grande sequência — provavelmente reservada para capítulos futuros.

O maior problema de John Wick 3: Parabellum não está em repetir fórmulas, mas em fazê-lo sem a mesma energia e novidade dos anteriores. O filme tem seus momentos de brilho, mas também deixa transparecer sinais de desgaste. O gancho final deixa claro que ainda há mais por vir, mas a empolgação que antes era inevitável agora dá lugar a uma leve apreensão.
Se os dois primeiros filmes foram balas de prata no cinema de ação contemporâneo, John Wick 3: Parabellum é uma rajada que acerta o alvo só parcialmente. É divertido, ainda entrega cenas insanas e visuais caprichados, mas já começa a mostrar que até mesmo o invencível John Wick pode ficar sem munição criativa.





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