Karate Kid: Lendas

(2025) ‧ 1h34

"Karatê Kid: Lendas": Entre o passado e o futuro da franquia

Dirigido por Jonathan Entwistle, Karate Kid: Lendas reúne pela primeira vez Ralph Macchio (Daniel LaRusso) e Jackie Chan (Sr. Han), conectando os universos dos filmes clássicos dos anos 1980, o reboot de 2010 e a série Cobra Kai. O sucesso de Cobra Kai na Netflix foi estrondoso. O spin-off que ressuscitou este universo apresentou a história de Daniel LaRusso e Sr. Miyagi (Pat Morita) a uma nova geração de fãs.

A trama acompanha Li Fong (Ben Wang), um jovem prodígio do kung fu que, após uma tragédia familiar, se muda de Pequim para Nova York com sua mãe. Lutando para se adaptar à nova vida, Li enfrenta desafios que o levam a ser treinado por Sr. Han. Juntos, eles buscam a orientação de Daniel LaRusso, unindo diferentes estilos e filosofias marciais para enfrentar adversidades e encontrar equilíbrio.

Com novos elementos para tornar o molho de sua nova história mais saboroso, Lendas entende que não precisa investir na nostalgia gratuita para encontrar sua razão de existir. É o fan service que funciona mais como alento do que uma necessidade.

O filme é uma homenagem carinhosa à franquia original, equilibrando nostalgia e inovação. Ben Wang tem uma atuação segura e carismática. As sequências de luta são muito bem coreografadas e dinâmicas. O novo vilão é ótimo. Connor, que substitui Johnny Lawrence no papel de antagonista, é um rival direto do protagonista Li Fong e parece ser uma versão moderna de Johnny, mas sem o grupo de seguidores que o original tinha. A rivalidade entre Connor e Li Fong é construída em torno de uma garota chamada Mia (Sadie Stanley), e o conflito inicial se dá por conta de sua atenção, com Connor questionando a ligação entre Mia e Li Fong, o que gera uma agressividade que é um ritual de passagem no universo da franquia.

O filme é uma forma de expandir o universo de Karatê Kid sem depender totalmente da nostalgia. A química entre os atores realmente é ótima. A interação entre Ben Wang, Jackie Chan e Ralph Macchio é um dos pontos fortes. As coreografias conseguem capturar a essência dos filmes de artes marciais dos anos 1980, mas com um toque moderno. O trabalho de Wang impressiona, especialmente nas sequências finais, que combinam elementos de Karate e Kung Fu em um cenário lindíssimo no estilo synthwave, que lembra jogos antigos de video game e mistura lindas cores fortes com um céu alaranjado de final de tarde.

No entanto, há uma certa repetição de clichês. A trama segue uma estrutura familiar, com algumas repetições da franquia. A história às vezes também é um pouco apressada e a montagem dinâmica pode não dar muito espaço para a reflexão sobre os acontecimentos. O título Karatê Kid pode ser considerado inadequado, já que o protagonista luta Kung Fu. As lendas Jackie Chan e Ralph Macchio, apesar de importantes, não têm tanto tempo de tela quanto se esperava e a história é muito similar aos filmes anteriores, apesar de apresentar algumas diferenças.

Em resumo, Karatê Kid: Lendas é um filme divertido e com boas cenas de ação, impulsionado pelo carisma do novo protagonista, pela ótima fotografia e pela interação com os personagens clássicos. No entanto, a repetição de elementos da franquia e um roteiro um pouco apressado são pontos fracos. O filme tenta agradar tanto a nova geração quanto os fãs de longa data, com um resultado que parece ser, em geral, muito positivo, mas talvez não tão inovador. O filme também oferece uma abordagem mais madura e emocional.

Karate Kid: Lendas com certeza é uma adição muito significativa à franquia, unindo elementos clássicos e contemporâneos para contar uma história de superação, disciplina e amizade. Os velhos e novos fãs têm a oportunidade de revisitar esse universo querido com uma nova perspectiva. Embora não seja necessário assistir à série Cobra Kai para entender o longa, ter esse contexto pode enriquecer a experiência, especialmente em relação à evolução de Daniel LaRusso e às referências ao legado do Sr. Miyagi. Poucas franquias norte-americanas sabem trabalhar tão bem – e de forma tão respeitosa – o seu legado quanto Karatê Kid.

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AUTOR

Ricardo Feldmann Dotto

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