Piratas do Caribe: A Vingança de Salazar

(2017) ‧ 2h09

25.05.2017

“Piratas do Caribe: A Vingança de Salazar”: O último gole de rum

Piratas do Caribe: A Vingança de Salazar chega como a nova tentativa de reviver a magia do início da franquia, e embora não seja o naufrágio completo que muitos previam, tampouco é o retorno triunfal que outros esperavam. Com novos personagens assumindo o leme e uma trama que tenta resgatar o espírito do primeiro filme, essa continuação acerta em alguns aspectos, mas ainda carrega o cansaço acumulado de uma série que já passou do ponto.

O capitão Jack Sparrow continua no centro da história, mas já não é mais aquele personagem imprevisível e magnético que roubava cada cena. Johnny Depp parece repetir maneirismos sem energia, como se estivesse preso a uma caricatura de si mesmo. Curiosamente, o momento em que Jack surge mais interessante é justamente num flashback em que aparece rejuvenescido digitalmente — o que talvez diga mais sobre o desgaste da fórmula do que qualquer crítica poderia dizer.

O resgate de elementos da trilogia original é uma das decisões mais acertadas. A inclusão de Henry Turner (Brenton Thwaites) e Carina Smyth (Kaya Scodelario) devolve certo equilíbrio à narrativa, funcionando como substitutos naturais de Will e Elizabeth. Eles são carismáticos, têm boa química e trazem um frescor necessário à franquia. O retorno de Orlando Bloom, mesmo que breve, ajuda a amarrar a trama e cria uma ligação emocional com os primeiros filmes.

O vilão da vez, o capitão Salazar vivido por Javier Bardem, tem presença e visual impressionantes, mas sua motivação — pura vingança — não chega a se destacar em meio ao mar de efeitos digitais. Há boas sequências de ação, incluindo uma casa sendo arrastada por cavalos e tubarões zumbis, mas, no geral, tudo soa mais como um espetáculo barulhento do que uma aventura envolvente. A leveza de A Maldição do Pérola Negra se perde em meio ao excesso de computação gráfica e soluções fáceis.

Mesmo assim, A Vingança de Salazar tem um ritmo mais enxuto, com seus 129 minutos passando de forma menos arrastada do que o filme anterior. Os diretores Joachim Rønning e Espen Sandberg mostram habilidade em construir cenas de impacto, e há uma tentativa consciente de recuperar o tom do primeiro longa. O humor funciona em alguns momentos, ainda que a espontaneidade pareça ensaiada demais — como na participação sem graça de Paul McCartney, em uma ponta que soa mais como curiosidade do que acréscimo.

Kaya Scodelario é uma grata surpresa: sua Carina é inteligente, decidida e ocupa com propriedade o espaço que Keira Knightley deixou. Thwaites faz o que pode com o material que tem, mas seu Henry, mesmo sendo simpático, ainda carece de mais camadas. Juntos, eles oferecem um vislumbre do que poderia ser uma nova fase para a franquia — se houvesse coragem de deixar Jack Sparrow descansar em paz.

Piratas do Caribe: A Vingança de Salazar entrega o básico do que se espera de um blockbuster de verão: ação, humor e nostalgia. Mas também reafirma que a franquia já não tem muito a oferecer além disso. É um filme que tenta olhar para frente com um pé fincado no passado — e, por isso, acaba apenas repetindo fórmulas. Funciona como distração, mas a sensação final é de que o navio já deveria ter atracado há algum tempo.

ONDE ASSISTIR

AUTOR

Felipe Fornari

OUTRAS CRÍTICAS

Passageiros

Passageiros

Passageiros é a história de um cara solitário no espaço, movido por um dilema ético que resulta em uma história de amor conturbada entre Jennifer Lawrence e Chris Pratt, os dois novos queridinhos de Hollywood. O casal é extremamente talentoso e o filme, dirigido por...

Hannah e suas Irmãs

Hannah e suas Irmãs

Em Hannah e suas Irmãs, Woody Allen constrói uma narrativa delicada e complexa, equilibrando humor e drama familiar em meio a três jantares consecutivos de Ação de Graças. Cada encontro marca o passar do tempo e revela os dilemas, desejos e frustrações das irmãs...

Por Inteiro

Por Inteiro

Por Inteiro se insere em uma leva recente de romances com pitadas de ficção científica, todos centrados em um mesmo ponto de partida: e se existisse um teste capaz de provar quem é a sua alma gêmea? O conceito é instigante, mas aqui serve mais como pano de fundo para...