Ziegfeld, o Criador de Estrelas

"Ziegfeld, o Criador de Estrelas" não funciona tão bem para o público atual

08.04.1936 │ 08:00

08.04.1936 │ 08:00

"Ziegfeld, o Criador de Estrelas" não funciona tão bem para o público atual

Para os fãs de espetáculos teatrais musicais, o nome de Ziegfeld é bastante conhecido, mesmo que o último show produzido por Florenz Ziegfeld Jr. tenha acontecido quase 100 anos atrás. Outro fator que colaborou para perpetuar o nome foi o Ziegfeld Theatre (o segundo prédio homenageando o produtor, construído em 1969, funcionou até 2016).

Ziegfeld, o Criador de Estrelas, que ganhou o Oscar de Melhor Filme em 1937, oferece uma visão da vida de Ziegefeld, desde seus shows na Feira Mundial de Chicago, de 1893, até sua morte, em 1932. O filme, que ganhou elogios na década de 1930, é mais um dos ganhadores do Oscar que não envelheceu muito bem. Embora alguns dos aspectos técnicos permaneçam impressionantes, o drama parece banal e seus números musicais são datados. Com mais de três horas de duração, é um desafio ao espectador de hoje.

O filme abre durante a Feira Mundial, onde Ziegfeld (William Powell, de Nossa Vida com Papai) de 26 anos está exibindo uma apresentação secundária com o famoso “homem mais forte do mundo”. O público é fraco, principalmente porque um promotor rival, Jack Billings (Frank Morgan, de O Mágico de Oz), atrai a multidão para sua apresentação rival com a promessa de uma apresentação só com garotas, encabeçada por uma popular dançarina do ventre. Ziegfeld vira o jogo por meio de um marketing diferenciado – permitindo que as mulheres toquem os músculos do seu protagonista do show. De repente, quem se aglomerava para ver a dançarina do ventre começa a fazer fila para o show de Ziegfeld.

A rivalidade entre Ziegfeld e Billings perdura por anos e, mais tarde, eles estão na Europa tentando assinar contrato com a popular sensação Anna Held (Luise Rainer, de Terra dos Deuses). Ziegfeld conquista a confiança dela, mas sua estreia em Nova York não é um sucesso. Novamente, um marketing inteligente salva a empresa de um desastre e Ziegfeld da falência. Anna se torna uma estrela e Ziegfeld se casa com ela. Eles ficam juntos por muitos anos e ela é uma das motivadoras por trás da criação do grande show de Ziegfeld, o Follies, que estreia em 1907. Em 1913, no entanto, ela cansa da infidelidade de Ziegfeld e pede o divórcio. Depois de alguns meses tristes, ele passa para outro relacionamento – com a atriz Billie Burke (Myrna Loy, de Os Melhores Anos de Nossa Vida), que permaneceria com ele até sua morte e lhe daria uma filha.

O aspecto mais memorável de Ziegfeld, o Criador de Estrelas é a recriação de momentos marcantes do Follies. Um em particular, o enorme número em plano sequência A Pretty Girl Is Like a Melody, pode não ser mais tão impactante como antes, mas ainda é impressionante de assistir.

Por mais animados que sejam os trechos onde vemos o Follies, outros momentos da produção são bastante irregulares. Isso é perceptível na primeira hora do filme, que se arrasta enquanto Ziegfeld trabalha para iniciar sua famosa carreira e conquistar Anna. O final oferece um peso a mais quando as finanças do produtor entram em colapso junto com a bolsa de valores em 1929. E sua morte, manipulada pelos roteiristas para ter o máximo impacto, é excessivamente sentimental.

Robert Z. Leonard, que dirigiu o filme, foi um dos primeiros cineastas na criação de Hollywood. Ele começou em 1909 como ator e se voltou para a direção em 1913, tendo dirigido mais de 100 títulos mudos em pouco mais de 15 anos. O ponto alto de sua carreira foi Ziegfeld, o Criador de Estrelas, que lhe rendeu sua segunda indicação de Melhor Diretor (a primeira foi para A Divorciada, de 1930).

Como biografia, Ziegfeld, o Criador de Estrelas faz um trabalho razoavelmente competente – embora “retocado” – da vida do personagem principal. Com Burke supervisionando o roteiro, incidentes que apresentariam seu falecido marido sob um aspecto nada lisonjeiro foram omitidos. Esta é uma das razões pelas quais o filme talvez não funcione tão bem – o personagem principal é “bacana” demais para ser convincente.

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