X: A Marca da Morte

(2022) ‧ 1h45

11.08.2022

"X: A Marca da Morte": Terror brutal e nostálgico dos anos 1970

Gente, faz tempo que não ficava tão feliz assistindo filmes de terror! Este final de semana vi Noites brutais, Pearl e X: A Marca da Morte, que veio antes de Pearl, mas Pearl veio como sequel brilhante e até mesmo ofuscante (se não viu as duas resenhas, clica nos links ali!!).

Diferente de Pearl, que mostra um Estados Unidos mais otimista e sonhador, apesar da Primeira Grande Guerra (a abertura de Pearl, muito lynchiniana, mostra uma fazenda idílica, com céu azul, grama super verde, música romântica e até o lettering de abertura conta com grandes letras cursivas românticas), X: A Marca da Morte, que se passas em 1979, começa dentro de um camarim escuro com Maxine (Mia Goth) se drogando e se autoafirmando de que um dia seria uma estrela. Logo seguimos ela para fora e nos deparamos com letreiros indicando que o local é um bar que oferece garotas, localizado no cais de um porto, com uma paisagem deprimente e cinza.

Maxine e um grupo de jovens, que inclusive inclui Lorraine (Jenna Ortega), se dirigem para uma fazenda, onde locaram uma cabana para gravar um filme pornô cult (pelo menos é o que o diretor do filme, que mais parece um estudante de cinema faminto por ideias, prega, com seu papo de cinema francês e tal). O dono da fazenda, um senhor muito mal-encarado, pede que eles sejam discretos e não perturbem sua esposa. Puta merda, eu já vi esse tipo de filme antes, hein?! Quem aí pensou em A Visita levanta a mão!

E o circo está armado. A galera vai filmar o filme, e a senhorinha vai ficar bem perturbada (animada?) com o que vê, e o resto é história – literalmente, se sobrar alguém pra contar.

Confesso que foi muito bacana ver Pearl antes (e aqui fica minha recomendação), pois a brutalidade deste filme, não só por ser terror e ter muuuuito gore, é palpável. E cria um contraste inimaginável com Pearl, que é mais delicado, sutil, apesar de uma hora engatar o terror e não parar mais. Aqui em X: A Marca da Morte, as coisas são mais óbvias, mais duras, mais reais, então talvez menos assustadoras, na minha opinião. Ou talvez eu tenha assistido muito filmes de terror (coisa que a turma de X não fez, pois tinha gente fazendo sexo e se dividindo pra encontrar os amigos, ou seja, desdenhando as regras para sobreviver em um filme de terror!), e X seja mais previsível – apesar de oferecer muuuuitos jump scares, eu me assustei pra caramba. Pearl é mais aterrorizante por mostrar uma história menos óbvia.

Se bem que os dois velhinhos, hein?! Pois é… tenho medo de filmes de terror com crianças – senhor, tenho dificuldades para assistir, juro -, e agora vou juntar à lista filmes de terror com velhinhos com cara de inocente. Falando em cara de inocente, reconhece a atriz interpretando a velhinha? Assiste e me conta depois.

O tema de revisitar o tal sonho americano, que claramente está quebrado e bem fodido, na opinião de Ti West, diretor, escritor, produtor e editor de X: A Marca da Morte e Pearl, ainda vai render bons outros filmes de terror. Botando fé nesse cara.

Então corre aproveitar o filme e depois vem me contar o que achou!

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AUTOR

Melissa Correa

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