Quatro anos depois da revolução causada por Jurassic Park: O Parque dos Dinossauros, Steven Spielberg retorna ao universo dos dinossauros com O Mundo Perdido: Jurassic Park. A promessa era grande: mais ação, mais criaturas, mais caos. E, em certo nível, o filme entrega tudo isso. O problema é que, ao tentar repetir a fórmula do sucesso, acaba tropeçando nos próprios passos — e deixa para trás parte do encantamento e da tensão que tornaram o original tão memorável.
A trama acontece em uma nova ilha, o “sítio B”, onde os dinossauros foram originalmente criados e ainda vivem em liberdade. O objetivo da nova expedição, inicialmente científica, logo se choca com interesses comerciais gananciosos, transformando a missão em uma corrida desesperada pela sobrevivência. Embora o pano de fundo mude ligeiramente, os conflitos são essencialmente os mesmos: humanos brincando de Deus, perdendo o controle, e pagando caro por isso.

Se o primeiro filme nos fazia prender a respiração diante de cada nova aparição de um dinossauro, O Mundo Perdido: Jurassic Park já nos encontra mais calejados. O impacto visual ainda existe — especialmente na sequência com dois T-Rexs atacando um trailer em pleno penhasco, uma das melhores cenas do longa — mas a sensação de “nunca antes visto” se dilui. Mesmo com mais espécies e efeitos ainda impressionantes, a repetição da fórmula diminui o impacto.
Jeff Goldblum retorna como o sarcástico Ian Malcolm, agora em posição de protagonista. A tentativa de humanizar seu personagem ao incluir uma filha adolescente e uma namorada aventureira (vivida por Julianne Moore) é válida, mas pouco desenvolvida. O carisma de Goldblum segura boa parte do filme, mas os demais personagens cumprem funções genéricas. É como se estivéssemos vendo novas peças encaixadas em velhas engrenagens, com rostos diferentes, mas os mesmos arquétipos.
O ato final em San Diego tenta adicionar um elemento novo à franquia — um dinossauro à solta em um ambiente urbano — mas a execução é anticlimática. A comparação inevitável com King Kong parece mais uma homenagem do que uma reinvenção. A sequência é curiosa, mas desconectada do tom do restante do filme, parecendo quase um bônus pós-créditos que veio cedo demais.

Mais do que qualquer falha narrativa, o que mais pesa é a falta da centelha mágica típica do melhor Spielberg. Em vez de comandar a aventura com o mesmo entusiasmo criativo de seus clássicos, o diretor parece ter delegado o controle ao piloto automático — ou melhor, aos técnicos da Industrial Light & Magic. O resultado é um filme tecnicamente impecável, mas sem o mesmo brilho, sem o mesmo coração.
Ainda assim, O Mundo Perdido: Jurassic Park funciona como entretenimento escapista. É um típico blockbuster de verão: barulhento, visualmente ambicioso, e feito sob medida para vender ingressos. Para quem busca apenas duas horas de diversão com dinossauros, ele cumpre seu papel. Mas, para quem esperava reviver a magia do primeiro encontro com um brontossauro, pode ser que falte algo — algo perdido, como o próprio título sugere.





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