Rua do Medo: 1666 – Parte 3

(2021) ‧ 1h54

17.07.2021

“Rua do Medo: 1666 – Parte 3” fecha a trilogia com fogueira, feitiço e um bocado de vingança ancestral

Chove. A terra é lamacenta, os rostos são sérios e os chapéus têm abas largas o suficiente pra esconder segredos. Estamos em 1666, onde a superstição mata mais do que a lâmina. E no meio desse cenário puritano, uma jovem encara o peso de séculos de maldição com os olhos bem abertos e o coração acelerado. Medo? Só se for dos vivos.

A terceira parte da trilogia dirigida por Leigh Janiak troca o neon por tochas e entrega um capítulo final mais denso, com aquele cheirinho de A Bruxa misturado com Abracadabra em ácido. Sim, ainda tem piada. Sim, ainda tem gore. Mas agora o bicho pega de verdade — e não dá pra esconder atrás da ironia.

A sacada genial aqui é a reutilização do elenco dos filmes anteriores em novos papéis, como se estivéssemos presos num teatro amaldiçoado que não para de encenar a mesma tragédia. Kiana Madeira, mais uma vez, entrega uma atuação potente, e dessa vez carrega nas costas um peso maior: o de encerrar uma história que vinha se construindo com muito mais coesão do que a gente esperava de um “terror adolescente”.

Apesar da roupagem histórica, o filme mantém aquele tom jovem que tanto cativou nos capítulos anteriores. A trilha sonora dá lugar a um clima mais soturno, mas ainda assim impactante. E quando chega a hora de voltar pra 1994… segura firme, porque o desfecho não decepciona.

Rua do Medo: 1666 é o tipo de encerramento que não tenta reinventar a roda, mas faz ela girar com sangue, suor e feitiçaria. E no fim das contas, é isso que a gente quer: diversão com gosto de pecado.

ONDE ASSISTIR

AUTOR

Melissa Correa

OUTRAS CRÍTICAS

O Jogo da Imitação

O Jogo da Imitação

Nada é tão criptografado que não possa ser decifrado em O Jogo da Imitação, cinebiografia do matemático e decifrador de códigos da Segunda Guerra Mundial, Alan Turing. Contado de forma elegante quase teatral, tudo está no seu lugar (principalmente os penteados),...

Laços de Ternura

Laços de Ternura

Apesar de 1983 ter sido um ano fraco para o Oscar, é um tanto desconcertante que Laços de Ternura tenha superado filmes como Os Eleitos: Onde o Futuro Começa e Silkwood, Retrato de uma Coragem. Ele é uma grande novelona baseada no romance de Larry McMurtry. O filme...

Liga da Justiça

Liga da Justiça

É difícil falar do Universo Estendido DC e evitar comparações com o Universo Cinematográfico Marvel, já que o segundo está bem mais estabelecido com sua fórmula de sucesso e o primeiro parecia, até o lançamento de Mulher-Maravilha, engatinhar para encontrar o seu tom...