Bailarina: Do Universo de John Wick chega com a missão ambiciosa de expandir um dos universos de ação mais icônicos do cinema contemporâneo — e cumpre com estilo, precisão e impacto. Embora seu início seja um pouco exitante, com um prólogo que parece indicar uma montagem turbulenta da produção, o filme rapidamente encontra seu ritmo quando Ana de Armas entra em cena. A partir dali, o que se vê é um espetáculo de ação coreografada, brutalidade estilizada e carisma em alta voltagem.
A protagonista, vivida com intensidade e presença hipnótica por Ana de Armas, é o coração do filme. Sua assassina treinada na Ruska Roma não é apenas habilidosa — ela é movida por uma fúria controlada e uma dor contida que transparece em cada golpe. O longa acerta ao não hipersexualizar sua figura, permitindo que sua força e vulnerabilidade coexistam de maneira equilibrada. É uma performance que se destaca mesmo dentro de um universo já repleto de figuras marcantes.

Os fãs da franquia John Wick vão se sentir em casa. A estética, o submundo codificado dos assassinos e as coreografias milimetricamente elaboradas estão todas ali. Mas Bailarina também se permite ousar: há espaço para um tipo de humor diferente em algumas cenas, o que adiciona uma camada inesperada de charme à carnificina. Um dos grandes momentos do filme, inclusive, acontece dentro de uma cozinha, onde o caos acontece com criatividade e tensão.
Norman Reedus surge como um dos personagens mais intrigantes do filme, embora pouco seja revelado sobre ele e sua participação seja minúscula. Sua presença misteriosa abre margem para futuras explorações dentro desse universo expandido. Já os veteranos da franquia, como Ian McShane, Anjelica Huston, Lance Reddick e Keanu Reeves, fazem participações pontuais que ajudam a manter a coesão com os demais filmes, sem nunca ofuscar a nova protagonista.

A mitologia do John Wick-verso é ampliada com elegância. Bailarina explora novos cantos desse mundo letal, oferecendo mais nuances sobre a Ruska Roma e a rígida hierarquia que sustenta a sociedade dos assassinos. É um mundo em que tradição e violência caminham lado a lado — e o filme sabe explorar isso sem se perder em explicações excessivas.
No fim, Bailarina: Do Universo de John Wick é um espetáculo de ação que honra seu legado e, ao mesmo tempo, traça seu próprio caminho. Pode até começar com um leve tropeço em seu prólogo, mas termina com um chute bem dado — daqueles que arrancam aplausos. É, sem dúvida, um passo ousado e bem executado rumo ao futuro dessa franquia que, mesmo depois de tantos tiros, ainda tem muita munição para gastar.





Clique abaixo para ler nossas críticas:


