Pânico 6

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"Pânico 6": Faca afiada, alma cansada

Pânico 6 tenta revigorar a franquia levando a carnificina de Woodsboro para o coração de Nova York. Em tese, a mudança de cenário deveria arejar a série e abrir possibilidades criativas, mas, na prática, a cidade grande funciona mais como pano de fundo do que como elemento narrativo. O filme entrega exatamente o que se espera: mortes sangrentas, reviravoltas e discursos metalinguísticos. Mas a essa altura da franquia, a sensação é de que já vimos isso tudo antes — e com mais impacto.

O filme começa de forma promissora, com uma cena de abertura que subverte um pouco as expectativas e brinca com o legado da franquia. É um dos poucos momentos em que Pânico 6 parece disposto a arriscar alguma coisa. O resto segue uma cartilha já bem conhecida: personagens debatendo regras de filmes, perseguições em corredores apertados e um Ghostface que surge e desaparece como mágica, agora usando o caos da metrópole a seu favor. Há uma boa sequência no metrô e outra num apartamento, mas nada que realmente eleve o conjunto.

O problema mais evidente é o peso do próprio legado. O filme está tão preocupado em ser “inteligente”, em mostrar que entende as regras do jogo, que esquece de jogar direito. A metalinguagem, que era um charme no original, virou muleta. A cada novo discurso sobre “as regras de uma franquia”, o roteiro afasta o espectador da imersão. O terror cede espaço ao comentário constante sobre o próprio terror — uma ironia que já perdeu a força.

Com a saída de Neve Campbell, o filme testa se a franquia consegue caminhar sem Sidney Prescott. A resposta é um morno “sim”. A ausência da protagonista histórica não pesa tanto quanto se imaginava, o que revela que talvez a série já tenha se tornado uma colcha de retalhos de personagens descartáveis. Jenna Ortega brilha como Tara e confirma seu status de estrela ascendente, mas o restante do elenco oscila entre o funcional e o esquecível. Nem mesmo Courteney Cox, que retorna como Gale Weathers, parece muito animada com a repetição.

A investigação sobre quem está por trás da máscara continua sendo o motor do enredo — mas também o seu calcanhar de Aquiles. Os suspeitos são poucos e mal desenvolvidos, tornando a revelação final previsível e sem impacto. O formato “quem matou?” já foi mais divertido quando o roteiro se importava em plantar pistas de forma engenhosa. Aqui, o mistério é apenas um pretexto para as cenas de perseguição.

Visualmente, Pânico 6 faz o básico. Há competência técnica nas cenas de ação e efeitos bem aplicados, mas nada que realmente surpreenda. A direção tenta emular o estilo de Wes Craven, mas sem sua elegância ou senso de ritmo. A trilha sonora, assim como o restante do filme, cumpre seu papel de forma eficiente, mas sem identidade marcante.

No fim das contas, Pânico 6 funciona como entretenimento rápido para fãs da franquia — entrega sangue, nostalgia e referências. Mas falta frescor, ambição e, acima de tudo, uma razão de ser. É um capítulo que gira em círculos, oferecendo mais do mesmo com uma leve camada de verniz nova-iorquino. Ghostface pode até ter mudado de CEP, mas continua preso às mesmas fórmulas de sempre.

Conheça os demais filmes da franquia

Clique nos pôsteres para ler nossa crítica sobre o filme.

PÂNICO
(1996)

PÂNICO 2
(1997)

PÂNICO 3
(2000)

PÂNICO 4
(2011)

PÂNICO
(2022)

PÂNICO 6
(2023)