Pânico 7

(2026) ‧ 1h54

18.02.2026

Entre nostalgia e metalinguagem, a franquia sobrevive sem se reinventar

A produção de Pânico 7 foi marcada por um dos bastidores mais turbulentos da história recente de Hollywood. Após a demissão de Melissa Barrera, a saída de Jenna Ortega por conflitos de agenda e a desistência do diretor Christopher Landon, o filme precisou se reinventar do zero.

Com a saída das “Core Four” (as irmãs Carpenter), a franquia tomou a decisão pragmática de trazer Sidney Prescott de volta ao centro do palco.

A sétima entrada da icônica franquia de terror tenta equilibrar nostalgia e renovação, mas só consegue em partes. Depois dos eventos recentes que revitalizaram a saga, Pânico 7 aposta ainda mais na metalinguagem e na crítica à cultura atual, mantendo o DNA criado por Wes Craven lá em 1996.

O filme mantém a essência da franquia: suspense bem construído, assassinatos criativos e aquela constante brincadeira com as “regras” dos filmes de terror. A tensão é mais consistente do que no anterior, e o roteiro tenta surpreender sem depender apenas de reviravoltas forçadas.

O retorno de personagens clássicos adiciona peso emocional e agrada fãs antigos, enquanto os novos personagens têm mais espaço para se desenvolver. Ghostface continua sendo um dos vilões mais icônicos do cinema slasher, sempre imprevisível e brutal.

Assim como os capítulos anteriores criticavam clichês de Hollywood, Pânico 7 mira na cultura de internet, teorias conspiratórias e fandom tóxico. Em alguns momentos a crítica é afiada; em outros, parece um pouco didática demais.

Algumas decisões de roteiro soam convenientes e certos personagens poderiam ter sido melhor explorados.

O elenco entrega boas performances, equilibrando drama e humor ácido que já é marca registrada da saga. A direção aposta mais na tensão psicológica do que apenas no susto fácil, o que ajuda a manter o filme envolvente.

Concluindo, Pânico 7 não reinventa a franquia, mas mantém viva a fórmula que fez sucesso por quase três décadas. É um capítulo sólido, com bons momentos de tensão e comentários interessantes sobre o terror moderno, mas certamente não está entre os melhores da franquia.

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AUTOR

Ricardo Feldmann Dotto

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