Predador: Assassino de Assassinos é uma aposta ousada dentro da franquia Predador, que busca inovar sua mitologia sem deixar de lado a essência que conquistou fãs desde 1987. Com produção de Dan Trachtenberg, de O Predador: A Caçada, essa animação antológica mergulha em três diferentes períodos históricos para acompanhar os confrontos sangrentos entre guerreiros implacáveis e uma criatura ainda mais letal. A ideia é clara: explorar como diferentes culturas e estilos de combate se sairiam frente a uma força predadora inigualável.
A primeira história, “O Escudo”, se passa na Escandinávia de 841 d.C., e é talvez a mais atmosférica das três. A escolha de tratar o Predador como Grendel, criatura do poema anglo-saxão Beowulf, dá um ar mitológico à narrativa. Há um senso de tragédia inevitável que paira sobre os vikings, e a violência brutal do embate é acentuada por uma estética que remete a Game of Thrones em seus momentos mais crus. Mas, mesmo com boas ideias, tudo parece conter-se num limite visual que talvez uma versão live-action não tivesse.

A segunda parte, “A Espada”, nos leva ao Japão feudal, com foco em um samurai que precisa aprender a trabalhar em equipe se quiser ter alguma chance contra a ameaça extraterrestre. É o segmento mais introspectivo do trio, com boas lições sobre honra, sacrifício e inteligência tática. A movimentação é fluida, as lutas são bem coreografadas, mas há um polimento excessivo na animação que, em certos momentos, tira o peso dramático da ação. Falta sujeira, textura, imprevisibilidade – e talvez até emoção.
A terceira e última história individual, “A Bala”, acontece na Flórida durante a Segunda Guerra Mundial e entrega as melhores cenas de ação da antologia. Aviões fatiados em pleno voo, emboscadas aéreas e o confronto entre estratégia militar e força bruta alienígena criam um ritmo vertiginoso. Ainda assim, o real impacto dessas cenas parece diminuído pela própria escolha estética do projeto: a animação, ainda que tecnicamente competente, carece de alma. A sensação constante é de que estamos assistindo a um cutscene de videogame, não a um longa-metragem com identidade própria.
A narrativa se amarra com um epílogo ambientado no planeta dos Predadores, onde os três sobreviventes são jogados em uma arena para lutar entre si, sob os olhares de seus captores. Há aqui um comentário interessante sobre linguagem, confiança e sobrevivência – afinal, os três não compartilham o mesmo idioma e precisam se entender para seguir vivos. É nesse ponto que o filme quase encontra seu coração, embora não o explore tão a fundo quanto poderia. As piadas funcionam, mas falta algo que nos faça torcer de verdade por aqueles personagens.

Apesar de seus tropeços visuais, Predador: Assassino de Assassinos merece crédito por tentar algo novo. Em vez de repetir fórmulas gastas, aposta em pequenas histórias com começo, meio e fim, e deixa a expectativa alta para Predador: Terras Selvagens, que deve estrear ainda em 2025. A fidelidade ao conceito do caçador supremo se mantém intacta, e os contextos históricos oferecem uma camada a mais de interesse, mesmo que a execução nem sempre alcance o potencial prometido.
Ao final, o longa não é revolucionário, mas também está longe de ser descartável. É um experimento digno dentro de uma franquia que poderia simplesmente se apoiar em nostalgia e tiroteios no mato. Predador: Assassino de Assassinos tenta ir além, mesmo que seus voos não sejam tão altos quanto imaginamos que pudessem ser. A ambição está lá, e talvez isso seja suficiente por agora.












